A gestão do Conselho Municipal da Beira, liderada pelo autarca Albano Carige, está sob fogo cruzado. A bancada da FRELIMO na Assembleia Municipal convocou uma conferência de imprensa na capital de Sofala para lançar duras críticas e pesadas acusações contra a edilidade, apontando para a existência de esquemas de desvio de fundos e uma gestão danosa do património público.
Bens Desaparecidos e Conta-Gerência Comprometida
O porta-voz destas denúncias foi Manuel Severino, chefe da bancada da FRELIMO. Durante a sua intervenção, o político acusou a autarquia de falhar redondamente na administração dos recursos do Estado, permitindo que colaboradores do município se envolvam no desaparecimento misterioso de bens móveis que deveriam estar ao serviço dos munícipes.
Para agravar o cenário, Severino denunciou a existência de graves irregularidades na conta-gerência do município, alertando que a transparência financeira da atual liderança está seriamente comprometida.
A Polémica dos GPS e a “Cortina de Fumo”
Um dos pontos mais quentes da conferência incidiu sobre a recente instalação de sistemas de rastreamento (GPS) na frota de viaturas municipais. Se, por um lado, a edilidade apresentou a iniciativa como um esforço de modernização e maior controlo dos bens, por outro lado, a bancada da FRELIMO garante que o processo de adjudicação violou a lei de contratação pública.
Mais do que uma infração administrativa, a oposição acusa a equipa de Albano Carige de usar a instalação dos GPS como uma autêntica “cortina de fumo”, desenhada para encobrir e desviar as atenções de rombos financeiros muito mais profundos nas contas do município.
Silêncio da Autarquia e Expectativas Futuras
Até ao fecho desta reportagem, o Conselho Municipal da Beira não emitiu qualquer reação oficial face à gravidade das acusações. A expectativa é que a edilidade quebre o silêncio nos próximos dias para apresentar a sua versão, clarificar a legalidade dos referidos contratos e justificar a gestão dos ativos municipais.
Este braço de ferro político promete aquecer de forma intensa a próxima sessão da Assembleia Municipal da Beira, surgindo numa conjuntura em que a pressão e a exigência por transparência financeira nas autarquias se fazem sentir com cada vez mais força em todo o país.
