Um homem suspeito de ligações ao terrorismo foi assassinado a tiro no interior da sua própria habitação, localizada na vila sede do distrito de Macomia, na província de Cabo Delgado. O crime ocorreu na noite de quinta-feira, gerando uma onda de pânico entre os residentes locais.
Execução no Bairro Napuluboxon
De acordo com fontes oficiais citadas pela agência Lusa, o homicídio registou-se por volta das 23h00 locais (22h00 em Lisboa), no bairro de Napuluboxon. Um grupo de desconhecidos invadiu a residência e exigiu que a vítima os acompanhasse até às matas para “cumprir com as suas obrigações”. Face à resistência e recusa do indivíduo em seguir com o grupo, os invasores balearam-no mortalmente na zona do tórax.
O episódio espalhou o medo na comunidade, que rapidamente acionou as Forças de Defesa e Segurança (FDS), suspeitando tratar-se de uma incursão de membros de grupos terroristas ativos na região. Contudo, quando as autoridades militares chegaram ao local, os autores do crime já se haviam colocado em fuga.
Escalada de Violência e Relatório da ACLED
Cabo Delgado enfrenta uma violenta insurgência armada há quase oito anos, cujo marco inicial remonta a 5 de outubro de 2017, em Mocímboa da Praia.
A situação no terreno continua volátil. Segundo o mais recente relatório da organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED), focado no período de 4 a 17 de maio, foram registados 10 eventos violentos na província em apenas duas semanas. Nove destes incidentes envolveram extremistas do Estado Islâmico de Moçambique (EIM), resultando em 26 vítimas mortais. Este número eleva o total de óbitos no conflito para 6.570 desde 2017. Dos 2.384 eventos violentos documentados desde o início da insurgência, a grande maioria (2.203) teve a participação de elementos associados ao EIM.
Avanço Para o Sul e Extorsão no Mar
O relatório da ACLED detalha ainda movimentações estratégicas dos insurgentes, indicando que um grupo se deslocou para sul, atravessando Ancuabe até entrar no distrito de Chiúre. Apesar da presença de bases do exército moçambicano e ruandês em Ancuabe, a organização relata que a única resistência encontrada pelos extremistas partiu de residentes e milícias locais de naparamas, que não possuem armas de fogo.
Mais a norte, o grupo terrorista continua a operar com táticas de guerrilha. Em Macomia, os insurgentes utilizaram com sucesso um engenho explosivo improvisado (IED) contra uma coluna das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), mantendo também presença no sul de Mocímboa da Praia. A ACLED alerta ainda para a dupla ameaça enfrentada por pescadores e comerciantes no mar, que são alvo de extorsão financeira tanto por parte dos insurgentes como da própria marinha.
Milhares de Deslocados e o Confronto em Messanja
O recrudescimento dos ataques provocou uma nova vaga de deslocados. Dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM) indicam que, só no distrito de Ancuabe, mais de 13.000 pessoas abandonaram as suas casas até ao dia 12 de maio — um número que a ACLED acredita ter aumentado significativamente desde então.
A rota de destruição atingiu a aldeia de Messanja, em Chiúre, no dia 17 de maio, onde os insurgentes incendiaram habitações e uma igreja, culminando num confronto com os paramilitares naparamas. Embora os canais de propaganda do Estado Islâmico reivindiquem a morte de 26 naparamas, fontes locais apresentam uma versão diferente. Populares relataram que os insurgentes ficaram sem munições e foram perseguidos. Os balanços divergem: enquanto uma fonte aponta para a morte de 12 insurgentes, outra relata a perda de dois naparamas e nove feridos. (Com informações da Lusa / Correio da Manhã Canadá).
