As negociações entre os Estados Unidos e o Irão parecem estar a caminhar a passos largos para um desfecho histórico. O Presidente norte-americano, Donald Trump, revelou que as conversações decorrem de forma positiva e que um acordo “de princípio” está perto de ser alcançado. No entanto, o líder norte-americano deixou um aviso claro: o bloqueio imposto pelos EUA aos portos iranianos manter-se-á inabalável até à assinatura final do documento.
Cautela e a Manutenção do Bloqueio em Ormuz
Através da sua plataforma digital, a Truth Social, Donald Trump descreveu o ambiente das negociações como “ordenado e construtivo”, mas apelou à calma. “Informei os meus representantes para não se apressarem a fechar um acordo, pois o tempo está do nosso lado”, sublinhou o Presidente.
Como medida de pressão, Trump garantiu que o bloqueio norte-americano no perímetro do Estreito de Ormuz — implementado como retaliação ao encerramento do estreito por parte de Teerão — “permanecerá em vigor até que um acordo seja alcançado, certificado e assinado”. Para o líder dos EUA, “não pode haver erros” e ambos os lados devem conduzir o processo com rigor.
O Que Está em Cima da Mesa e as Críticas Republicanas
De acordo com informações avançadas pela imprensa internacional, o rascunho do acordo prevê a reabertura imediata do Estreito de Ormuz, o levantamento das pesadas sanções económicas aplicadas ao Irão e o descongelamento de fundos iranianos retidos. Em troca, estaria garantida uma trégua de 60 dias, período destinado a negociar um pacto nuclear definitivo.
As cedências norte-americanas já motivaram duras críticas por parte de alguns senadores do Partido Republicano, que acusam a Casa Branca de ceder demasiado ao regime islâmico. Em sua defesa, Trump assegurou que este novo tratado será substancialmente superior ao acordo nuclear assinado em 2015 pela administração de Barack Obama, o qual classificou como “um dos piores” de sempre.
A Exigência de Israel: Fim do Perigo Nuclear e Defesa no Líbano
A perspetiva de um acordo fez soar os alarmes em Israel. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu revelou este domingo (24 de maio) estar em total sintonia com Trump no que toca à urgência de “eliminar o perigo nuclear” iraniano. Para Netanyahu, um acordo final exige o desmantelamento total das instalações de enriquecimento de urânio do Irão e a remoção de todo o material nuclear do seu território.
Netanyahu sublinhou ainda que Trump reafirmou o direito de Israel a defender-se contra as ameaças regionais, fazendo referência direta ao conflito no Líbano. Recorde-se que Israel invadiu o sul do território libanês e continua a realizar ataques contra posições do Hezbollah — grupo xiita apoiado pelo Irão —, apesar da existência de um acordo de cessar-fogo.
A Posição de Teerão e a Visão Europeia
Do lado iraniano, a postura mantém-se inalterada. A República Islâmica insiste no seu direito inalienável de manter um programa nuclear para fins pacíficos, negando qualquer intenção de desenvolver armamento atómico. Além disso, os meios de comunicação iranianos apontam que Teerão exige que o acordo englobe a resolução de todos os conflitos regionais, incluindo a situação no Líbano.
A União Europeia também já reagiu aos desenvolvimentos. Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, saudou os progressos diplomáticos, mas exigiu que o acordo resulte numa verdadeira “desescalada do conflito”. Na rede social X, a líder europeia delineou as linhas vermelhas de Bruxelas: a reabertura do Estreito de Ormuz com “total liberdade de navegação sem portagem”, o bloqueio absoluto ao desenvolvimento de armas nucleares iranianas e o fim imediato das “ações desestabilizadoras” de Teerão no Médio Oriente. (Com informações da DW África / Agências).
