União Europeia nega ter recebido pedido do Ruanda para financiar tropas em Cabo Delgado

​A diplomacia da União Europeia (UE) refutou as recentes alegações do Governo de Kigali, garantindo não ter recebido “qualquer pedido formal” para a renovação do apoio financeiro destinado às forças ruandesas destacadas em Cabo Delgado, no norte de Moçambique. O atual programa de financiamento europeu chega ao fim neste mês de maio de 2026.

A Posição de Bruxelas

​O esclarecimento surgiu através de uma fonte oficial da Comissão Europeia, em declarações à agência Lusa: “O atual acordo no âmbito do Mecanismo Europeu para a Paz terminará em maio de 2026. A União Europeia não recebeu qualquer pedido formal de assistência adicional por parte das autoridades ruandesas”.

​Apesar de o financiamento chegar ao seu término, Bruxelas faz questão de enaltecer a atuação das tropas no terreno. A mesma fonte sublinhou que a UE “reconhece a contribuição muito importante do Ruanda para os esforços destinados a estabilizar a situação de segurança em Cabo Delgado”, observando ainda que a presença militar ruandesa tem sido amplamente valorizada pelo Governo moçambicano.

As Críticas e a “Relutância” Europeia

​A clarificação da União Europeia surge apenas três dias após o Ruanda ter garantido que se vai manter em Moçambique para continuar o combate ao terrorismo. Na ocasião, o Governo ruandês queixou-se de que os custos da operação militar passarão a ser suportados por Moçambique, alegando que dois pedidos de apoio financeiro submetidos à UE teriam sido recebidos com “relutância”.

​Em declarações contundentes, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Ruanda, Olivier Nduhungirehe, acusou alguns Estados-membros da UE — com referência direta a Portugal e à Bélgica, antigas potências coloniais — de politizarem a questão.

​O governante lamentou que um “apoio crucial a um povo moçambicano” se tenha transformado numa “crítica irracional ao Ruanda”. Nduhungirehe foi mais longe, afirmando que o seu país foi lançado “aos leões” pelos mesmos países que “beneficiam economicamente da nossa intervenção em Cabo Delgado”.

O Efetivo Militar e os Milhões da UE

​O Ruanda atua em Cabo Delgado há cinco anos para apoiar as Forças Armadas moçambicanas no combate aos grupos terroristas que, desde 2017, assolam a província, região que concentra algumas das maiores reservas de Gás Natural Liquefeito (GNL) de África. Atualmente, o Governo de Kigali tem mais de 6.300 militares no norte de Moçambique, um efetivo três vezes superior ao destacamento inicial de 2021.

​O pacote europeu que agora termina, aprovado em duas fases (2022 e 2024) a pedido de ambos os países africanos, totalizou 40 milhões de euros ao longo dos 36 meses previstos. Esta verba comunitária destinou-se exclusivamente ao pagamento de custos de transporte das tropas e à aquisição de equipamento não letal.

O Contexto Geopolítico e as Sanções

​O término deste apoio europeu coincide com um período de pressão internacional sobre Kigali. Recentemente, os Estados Unidos da América — que são financiadores do megaprojeto de GNL liderado pela multinacional francesa TotalEnergies em Cabo Delgado — aplicaram sanções às Forças de Defesa do Ruanda. O motivo destas sanções norte-americanas prende-se com o envolvimento ruandês no conflito que decorre na vizinha República Democrática do Congo. (Com informações da DW África / Lusa).

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