A empresa Altona Rare Earths anunciou, na passada sexta-feira, dia 5 de junho, a descoberta de xenotima na concessão de Monte Muambe, localizada na província de Tete, centro de Moçambique. Este mineral, que contém elementos de terras raras pesadas, apresenta potencial para ser explorado como um subproduto da operação de mineração de fluorite já planeada para a zona.
Descobertas e potencial económico
Dados recolhidos durante a campanha de perfuração de 2025 confirmaram uma ampla dispersão de elementos de terras raras pesadas na zona de fluorite. A identificação de xenotima, ocorrida durante testes recentes, marca um avanço inédito no projeto, abrindo novas perspetivas económicas.
Cedric Simonet, CEO da empresa, destacou que esta configuração permite a recuperação de um concentrado de terras raras pesadas durante o processamento da fluorite, com custos adicionais significativamente inferiores aos de uma operação dedicada, o que reforça a viabilidade económica do projeto. Simonet acrescentou que esta produção poderá valorizar a proposta do projeto e adicionar um quarto material estratégico ao perfil de Monte Muambe, que já incluía terras raras (REE), fluorite e gálio.
Antecedentes e dados do projeto
Esta atualização segue-se a informações divulgadas em abril, que já apontavam para concentrações relevantes de terras raras pesadas associadas ao minério de fluorite e gálio, com cerca de 3.200 partes por milhão de óxidos totais — dos quais cerca de 40% são elementos pesados. A Altona sublinhou que estas concentrações são comparáveis a grandes projetos fora da Ásia.
O projeto Monte Muambe, detido pela Monte Muambe Mining (MMM), engloba recursos estimados em 13,6 milhões de toneladas com 2,42% de óxidos de terras raras, além de volumes expressivos de fluorite e gálio. Geograficamente, a concessão situa-se num vulcão inativo de 780 metros de altitude, a leste de Moatize, cuja caldeira é composta por carbonatitos ricos em fluorite azul e amarela.
Relevância estratégica e investimento
Devido à sua utilização em tecnologias avançadas — como ímanes de alto desempenho, eletrónica, dispositivos médicos e aplicações militares — as terras raras pesadas são consideradas minerais críticos, sendo a sua produção global atualmente muito concentrada na China.
Reconhecendo a importância estratégica do projeto para os interesses dos Estados Unidos, o governo norte-americano assinou, a 27 de fevereiro, em Maputo, uma subvenção de 1,8 mil milhões de dólares para estudar a viabilidade da extração no local. Desde 2021, a Altona Rare Earths investiu 4 milhões de dólares em exploração, avançando com um estudo de viabilidade financiado pela Agência de Comércio e Desenvolvimento dos Estados Unidos (USTDA).
Abigail Dressel, então encarregada de negócios dos EUA em Maputo, afirmou na ocasião que o projeto beneficiará tanto os EUA como Moçambique, fortalecendo o setor mineiro, impulsionando a economia e contribuindo para o desenvolvimento responsável dos recursos naturais do país.
Fonte: Diário Económico
