A Federação Iraniana de Futebol (FFI) manifestou publicamente o seu descontentamento após os Estados Unidos terem revogado os bilhetes destinados aos adeptos iranianos para o Mundial2026, competição que tem início já na próxima quinta-feira.
Acusações e denúncia da FFI
Em comunicado oficial, a federação iraniana classificou a decisão como lamentável, apontando-a como mais um episódio de interferência de agentes externos ao desporto por parte do país anfitrião. Segundo a FFI, os Estados Unidos tentaram impedir a presença de adeptos iranianos nos estádios onde a seleção disputará os seus três jogos da fase de grupos.
A entidade sublinhou os seguintes pontos:
- As normas da FIFA estabelecem que 8% da lotação dos estádios para cada jogo deve ser disponibilizada para venda pelas federações participantes.
- A federação iraniana já tinha iniciado o processo de venda dos ingressos através do seu site oficial.
- A revogação inesperada desta atribuição impede a federação de garantir qualquer entrada aos seus adeptos.
A FFI considera que esta medida viola o espírito desportivo e o princípio de igualdade entre as nações participantes, tendo solicitado formalmente a intervenção da FIFA.
Problemas de logística e vistos
Além da questão dos bilhetes, o Irão enfrenta dificuldades estruturais no Mundial2026, que é organizado conjuntamente por Estados Unidos, México e Canadá:
- Devido a impasses na concessão de vistos, 15 elementos da seleção, incluindo membros da equipa técnica e dirigentes, ainda não possuem autorização de entrada.
- Como consequência, a seleção iraniana instalou o seu quartel-general no México em vez de nos Estados Unidos.
No Grupo G, o Irão enfrentará a Nova Zelândia (15 de junho) e a Bélgica (21) em Los Angeles, além do Egito (26) em Seattle.
Contexto geopolítico
O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irão, iniciado a 28 de fevereiro, tem gerado impactos globais, como a instabilidade económica e o aumento de preços de energia e bens básicos. As tentativas de estabelecer um cessar-fogo definitivo, que ocorreram em abril, não foram bem-sucedidas, sobretudo devido à intensificação da campanha militar de Israel no Líbano contra o Hezbollah, milícia apoiada pelo Irão.
Fonte: Lusa
