Tecnologia permite relações íntimas à distância e levanta debate sobre privacidade digital
A evolução da tecnologia está a transformar a forma como as pessoas vivem a intimidade, incluindo os relacionamentos à distância. Uma das inovações que tem despertado atenção são os chamados teledildonics ou cyberdildonics, dispositivos íntimos conectados à internet que permitem a interação remota entre duas pessoas.
A tecnologia foi desenvolvida para casais que vivem separados por longos períodos, seja devido ao trabalho, estudos ou mudança de residência, possibilitando que os dispositivos sejam controlados à distância através de aplicações móveis ou de uma ligação à internet.
Ao contrário dos brinquedos convencionais, estes equipamentos utilizam tecnologias ligadas à Internet das Coisas (IoT), permitindo que duas pessoas, mesmo em locais diferentes, interajam em tempo real.
O mercado destes dispositivos tem registado crescimento nos últimos anos. Um estudo realizado pela empresa We-Vibe, com cerca de mil homens e mulheres entre os 35 e os 55 anos, indica que 52% dos casais utilizam brinquedos íntimos para diversificar a vida sexual. Segundo o mesmo estudo, 51% afirmaram que o uso destes dispositivos melhorou a comunicação entre o casal sobre temas ligados à sexualidade.
Além dos relacionamentos, especialistas apontam que a tecnologia poderá provocar mudanças significativas na indústria do entretenimento adulto. A combinação entre realidade virtual e dispositivos conectados poderá proporcionar experiências mais imersivas para os utilizadores. Atualmente, alguns profissionais que realizam transmissões ao vivo já utilizam equipamentos deste tipo, permitindo que a interação seja feita em tempo real através da internet.
Os dispositivos também podem ser utilizados por casais que vivem juntos, oferecendo novas formas de interação através de aplicações móveis capazes de controlar determinadas funções remotamente.
No entanto, a expansão desta tecnologia também levanta preocupações relacionadas com a segurança digital e a proteção da privacidade dos utilizadores.
Especialistas alertam que, por estarem ligados à internet, estes equipamentos podem ficar expostos à recolha de dados pessoais, falhas de segurança e ataques informáticos. A ausência de protocolos universais de segurança faz com que cada fabricante desenvolva os seus próprios sistemas, aumentando o risco de vulnerabilidades.
Num teste realizado em Berlim, um investigador conseguiu localizar e controlar alguns dispositivos através de Bluetooth que estavam visíveis nas proximidades, demonstrando que determinados equipamentos ainda apresentam falhas de proteção.
Outro tema que começa a ser debatido é o impacto jurídico deste tipo de ataques. Especialistas questionam se o controlo não autorizado de um dispositivo íntimo durante a sua utilização poderá ser considerado uma forma de abuso, uma vez que viola o princípio do consentimento, considerado essencial em qualquer relação íntima.
À medida que esta tecnologia evolui e se torna mais popular, cresce também a necessidade de reforçar os mecanismos de segurança, proteger a privacidade dos utilizadores e adaptar as leis às novas realidades do mundo digital.
