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União Europeia Descarta Novo Financiamento às Forças do Ruanda e Prioriza Exército Moçambicano

A União Europeia (UE) fechou, para já, as portas à continuidade do financiamento das tropas ruandesas que operam em Cabo Delgado. A posição foi assumida pelo embaixador da UE em Moçambique, Antonino Maggiore, à margem das festividades do Dia da Europa. O diplomata deixou claro que a nova estratégia de Bruxelas passa por concentrar os esforços no apoio direto e na capacitação operacional das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM).

​Avaliando o futuro do apoio europeu face à persistência dos ataques armados no norte do país, Maggiore explicou a fase atual do processo: “Estamos agora em discussão, porque a missão, como eu disse, já é ativa há quatro anos e o objetivo é discutir uma possível extensão. É uma decisão que pertence aos 27 Estados-membros da União Europeia”.

​O embaixador sublinhou que a urgência de Bruxelas é dotar o exército nacional de meios próprios. “Nesta fase, acreditamos que é importante focar a nossa atenção sobre o fortalecimento das capacidades das Forças Armadas moçambicanas, para acompanhar o processo e permitir às Forças Armadas de Moçambique ter toda a capacidade necessária e as ferramentas para combater o terrorismo”, destacou. Quando confrontado diretamente sobre se a UE continuaria a injetar capital nas forças do Ruanda, a resposta foi categórica: “Neste momento, não.”

​O Ultimato de Kigali e o Fim do Apoio

​Esta nega europeia surge num momento de tensão diplomática sobre a sustentabilidade das operações militares no norte do país, onde o contingente ruandês apoia Moçambique desde 2021. A 15 de março, Olivier Nduhungirehe, ministro dos Negócios Estrangeiros do Ruanda, alertou publicamente que Kigali poderá ser forçada a retirar as suas tropas caso não seja garantido um “financiamento sustentável” para a missão.

​Recorde-se que a presença militar ruandesa foi anteriormente financiada pela União Europeia com uma verba a rondar os 40 milhões de euros, canalizada através do Mecanismo Europeu de Apoio à Paz. Este montante serviu para cobrir despesas de logística, equipamento e transporte das tropas. Contudo, o prazo desse apoio financeiro termina precisamente este mês e, segundo revelou à Lusa uma fonte da delegação da UE em março, não existem quaisquer negociações em curso para a sua renovação.

​O Peso do Ruanda nos Megaprojetos de Gás

​Os militares ruandeses têm sido a espinha dorsal da segurança na região, garantindo sobretudo a proteção em redor do perímetro do megaprojeto de exploração de gás natural liderado pela TotalEnergies. A petrolífera francesa retomou a construção da infraestrutura no passado mês de janeiro — quase cinco anos após a suspensão provocada pelo terrorismo — e tem sublinhado reiteradamente a importância vital da força ruandesa para a estabilidade daquela zona.

​O conflito em Cabo Delgado arrasta-se desde outubro de 2017, impulsionado por grupos insurgentes ligados ao Estado Islâmico. De acordo com os registos de várias organizações internacionais, a violência já ceifou a vida a cerca de 6.500 pessoas e provocou milhares de deslocados.

​(Com informações da agência Lusa).

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