Professora falecida é convocada para corrigir exame nacional e erros geram polémica em Portugal

O processo de correção dos exames nacionais do ensino secundário em Portugal continua a ser alvo de críticas por parte de professores e sindicatos, após o surgimento de novos erros nas convocatórias dos docentes responsáveis pela classificação das provas.

Segundo o Correio da Manhã, uma professora da Figueira da Foz, que faleceu em dezembro do ano passado, após se reformar, foi convocada para corrigir o exame nacional de Física e Química A.

Os problemas, contudo, não se limitaram a esse caso. Em Oliveira de Azeméis, uma docente convocada para corrigir provas de Português acabou por receber exames da disciplina de Economia A. Já em Lisboa, uma professora de Geologia foi designada para classificar provas de Francês.

De acordo com as informações divulgadas, também foram identificados casos de professores já aposentados que constam das listas de convocação. Em sentido contrário, há disciplinas cujos exames já foram realizados, mas cujos classificadores ainda não terão sido oficialmente convocados.

Em declarações ao Correio da Manhã, um diretor de um Agrupamento de Escolas de Viseu, que preferiu não ser identificado, afirmou que os problemas terão surgido depois de o Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) deixar de contar com professores para coordenar o processo de correção, passando essa responsabilidade para técnicos.

Segundo o responsável, a situação provocou uma grande desorganização, dificultando o funcionamento normal do processo.
O portal Notícias ao Minuto informou que contactou o Ministério da Educação para obter esclarecimentos sobre os acontecimentos. No entanto, a tutela recusou comentar o caso de imediato, indicando que eventuais esclarecimentos serão prestados posteriormente.

A primeira fase dos exames nacionais decorreu entre 16 e 26 de junho. Nesta edição, uma das principais novidades foi a introdução da correção digital das provas. Apesar de os alunos continuarem a responder aos exames em papel, a classificação passou a ser realizada através de uma plataforma eletrónica.

O novo sistema, porém, enfrentou diversos constrangimentos. No sábado, o Júri Nacional de Exames anunciou que a distribuição das provas aos professores classificadores seria feita de forma gradual, devido a dificuldades técnicas registadas na plataforma.

Entretanto, a Federação Nacional dos Professores (Fenprof) classificou como “inaceitável” a postura do Ministério da Educação perante os problemas verificados, considerando que existe um verdadeiro clima de caos na preparação e correção dos exames nacionais, agravado pelos atrasos provocados pelas falhas técnicas.

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