Como reportado pelo site 4Vês Repórter, novos documentos levantam dúvidas sobre caso da viatura de Benjamim “Cowboy” Bié
Conforme reportado pelo site 4Vês Repórter, novos documentos relacionados com a viatura pertencente ao jovem Benjamim Zacarias Bié, conhecido por “Cowboy”, levantam novas questões sobre o caso que continua a ser investigado pelas autoridades.
Segundo a publicação, o processo ganhou novos contornos após o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) divulgar um comunicado informando que um dos seus agentes foi encontrado na posse da viatura. Na nota, a instituição refere que o agente declarou ter adquirido o veículo a um cidadão identificado como Temoteo Benjamim Bene, afirmando desconhecer qualquer ligação da viatura ao homicídio de Benjamim Bié.
Entretanto, de acordo com o 4Vês Repórter, documentos aos quais o órgão teve acesso apresentam informações que, segundo a publicação, merecem esclarecimentos adicionais.
A documentação emitida pelas Alfândegas de Moçambique, na Terminal Internacional de Automóveis 2, em Maputo, no dia 8 de junho de 2026, identifica o agente do SERNIC, Manuel Rodrigues Mabecuane Langa, como importador da mesma viatura, numa altura em que o veículo já era dado como desaparecido.
Ainda segundo os documentos citados pelo 4Vês Repórter, a viatura recebeu uma nova matrícula atribuída pelo Ministério dos Transportes e Logística no dia 9 de junho de 2026, às 07h21.
A publicação refere ainda existir uma aparente inconsistência documental, uma vez que, apesar de o agente surgir identificado como importador da Toyota Hilux, o Certificado de Matrícula apresenta, no campo destinado aos dados do importador, a empresa Mada Despachantes Aduaneiros.
O portal acrescenta que os documentos originais do veículo estavam registados em nome de Benjamim Bié. De acordo com a Licença de Importação e Exportação Temporária de Veículos, a viatura entrou em Moçambique através da Delegação Aduaneira de Namaacha, na província de Maputo, no dia 12 de janeiro de 2026.
Apesar destes elementos, o SERNIC mantém a versão apresentada no seu comunicado, segundo a qual o agente terá adquirido o veículo de um terceiro e desconhecia qualquer ligação da viatura ao homicídio. A instituição acrescentou igualmente que o automóvel apresentava alterações na pintura, alegadamente efetuadas para dificultar a sua identificação.
O 4Vês Repórter refere ainda que, segundo fontes que solicitaram anonimato, o agente encontrado na posse da viatura é filho de um quadro sénior das Alfândegas de Moçambique. Contudo, a publicação ressalva que, até ao momento, não existe qualquer evidência de que essa relação tenha influenciado os procedimentos administrativos associados ao veículo.
Face aos novos elementos divulgados, cresce a expectativa em torno do esclarecimento completo do caso, que envolve não apenas a investigação da morte de Benjamim “Cowboy” Bié, mas também a necessidade de esclarecer a circulação e a legalização da viatura que lhe pertencia. O caso continua a suscitar interesse público e aguarda novos desenvolvimentos por parte das autoridades competentes.
