Venda de Activos da South32 à Alcoa Deixa Futuro da Mozal Fora do Negócio
A empresa mineira australiana South32 chegou a acordo para vender a maior parte dos seus activos ligados ao alumínio à Alcoa, numa operação avaliada em até 5,6 mil milhões de dólares. No entanto, a Mozal Aluminium, em Moçambique, foi expressamente excluída da transacção, permanecendo fora da reorganização internacional da empresa.
O negócio abrange activos de exploração e processamento de bauxite, alumina e alumínio localizados na Austrália, Brasil e África do Sul, mas não inclui a fundição moçambicana, cujo futuro continua dependente de uma solução própria para os desafios energéticos e operacionais que enfrenta.
Segundo informações divulgadas pela Alcoa e reportadas pela Reuters, a operação prevê uma contrapartida inicial de cerca de 4,1 mil milhões de dólares, composta por 3,1 mil milhões de dólares em dinheiro e aproximadamente mil milhões de dólares em acções da empresa compradora. O acordo contempla ainda um pagamento adicional que poderá atingir 750 milhões de dólares, condicionado à evolução futura dos preços da alumina e do alumínio.
Entre os activos incluídos na venda encontram-se a mina de bauxite de Boddington e a refinaria de alumina de Worsley, na Austrália Ocidental, a fundição de alumínio de Hillside e a participação na unidade inactiva de Bayside, na África do Sul, bem como participações na mina Mineração Rio do Norte e no complexo Alumar, no Brasil.
Com esta operação, a South32 pretende simplificar a sua estrutura operacional e concentrar os seus investimentos em cobre e outros metais de base, considerados estratégicos para a transição energética. A empresa pretende igualmente reforçar a disponibilidade de capital para financiar novos projectos e eventuais aquisições.
O director-executivo da South32, Matthew Daley, afirmou que a empresa continuará aberta a oportunidades de fusões e aquisições, desde que acrescentem valor ao grupo, estejam alinhadas com a sua estratégia e não comprometam a sua estabilidade financeira.
A exclusão da Mozal do negócio representa um dos aspectos mais relevantes da operação para Moçambique. A fundição permanece fora da venda e continua a ser tratada como um processo independente.
Desde 15 de Março, a Mozal encontra-se em regime de care and maintenance, depois de a South32 não ter conseguido assegurar uma solução considerada suficiente e competitiva para o fornecimento de energia eléctrica necessária à continuidade das operações.
A paralisação da unidade teve impacto significativo sobre o emprego, fornecedores, actividades logísticas, exportações, receitas fiscais e confiança empresarial, uma vez que a Mozal é uma das maiores fundições de alumínio de África e um dos principais activos industriais do país.
A South32 distingue claramente a sua estratégia internacional de reposicionamento, centrada no cobre e noutros metais de base, da situação específica da Mozal, cuja recuperação depende da existência de energia fiável, custos competitivos, estabilidade contratual e condições adequadas para uma indústria de elevado consumo energético.
A exclusão da fundição moçambicana demonstra que, neste momento, a Mozal não faz parte da reorganização internacional acordada entre a South32 e a Alcoa, reforçando a necessidade de encontrar uma solução estratégica própria para o empreendimento.
Especialistas defendem que a continuidade da Mozal não depende apenas do investimento realizado ao longo dos anos, mas também de factores como energia competitiva, logística eficiente, previsibilidade regulatória, inovação, acesso aos mercados e equilíbrio entre custos de produção e receitas.
Além da produção de alumínio, a unidade é vista como uma plataforma com potencial para impulsionar cadeias de valor nacionais, fortalecer fornecedores locais, qualificar mão-de-obra especializada, dinamizar serviços logísticos e aumentar o valor acrescentado da economia moçambicana.
Contudo, esse potencial depende de uma estratégia industrial mais ampla, em que o fornecimento de energia seja encarado como um elemento essencial para garantir competitividade, atrair novos investimentos e integrar Moçambique nas cadeias regionais e globais da indústria do alumínio.
Embora a operação entre a South32 e a Alcoa possa reforçar a posição desta última no mercado internacional de bauxite, alumina e alumínio, o futuro da Mozal continua por definir.
Neste contexto, ganha força a necessidade de uma solução concertada entre o Governo, a South32, o sector energético, as entidades reguladoras e os restantes intervenientes, de forma a assegurar previsibilidade, estabilidade e uma visão estratégica para o papel da indústria electro-intensiva no desenvolvimento económico de Moçambique.
