A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou, nesta quinta-feira (2), o fim do surto de hantavírus associado ao navio de cruzeiro MV Hondius, após o término do período de monitorização dos contactos e a ausência de novos casos da doença.
O anúncio foi feito pelo diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante uma conferência de imprensa realizada em Genebra.
“Hoje, a última pessoa que teve contacto com alguém exposto ao hantavírus a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius concluiu o período de quarentena, testou negativo e regressou a casa. Como não foram registados novos casos desde 25 de maio, temos o prazer de anunciar que a OMS considera o surto de hantavírus encerrado”, afirmou Tedros.
Segundo a organização, foram confirmados 13 casos de hantavírus relacionados com o cruzeiro.
O MV Hondius partiu no dia 1 de abril de Ushuaia, no sul da Argentina, para uma travessia do Atlântico Sul, transportando 147 passageiros e tripulantes de diferentes nacionalidades. Durante a viagem, três pessoas morreram e outras quatro desenvolveram sintomas compatíveis com a infeção.
Na sequência do surto, as autoridades de saúde identificaram e monitorizaram 650 pessoas que tiveram contacto com os passageiros infetados, distribuídas por 33 países.
Apesar do encerramento oficial do surto, a origem da infeção continua por esclarecer. De acordo com a OMS, tudo indica que a primeira contaminação tenha ocorrido antes do início da expedição, uma vez que o primeiro passageiro a morrer, um cidadão holandês de 70 anos, apresentou sintomas já no dia 6 de abril.
A organização recorda que o período de incubação do hantavírus varia entre uma e seis semanas e que, até ao momento, não existe vacina nem tratamento específico para a doença, que pode provocar uma síndrome respiratória aguda potencialmente grave.
A OMS informou ainda que continuará a investigar a origem deste surto e o comportamento do vírus, com o objetivo de apoiar o desenvolvimento de novos métodos de diagnóstico, tratamentos e vacinas.
Os hantavírus são vírus zoonóticos, ou seja, podem ser transmitidos entre animais e seres humanos. São normalmente associados a roedores e diferentes variantes circulam na Europa, Ásia e continente americano. Apenas algumas dessas espécies estão relacionadas com infeções em humanos, podendo causar doenças graves.
