O Ministério Público, junto do Tribunal Superior de Recurso de Maputo, identificou fortes indícios de falsificação de documentos no processo que envolve Argelência Chissano Unguana, ex-administradora do distrito de Xai-Xai, Dora Adelina Artur, chefe do Gabinete da Governadora da província de Gaza, e Dionísio Bernardo Mavie, técnico de finanças.
As novas suspeitas surgem no âmbito da investigação sobre o alegado desvio de produtos destinados à assistência humanitária na cidade de Xai-Xai, província de Gaza.
Segundo as informações disponíveis, a controvérsia centra-se numa matriz de recomendações emitida pelo Centro Operativo de Emergência (COE). De acordo com o Ministério Público, a versão apresentada pelos recorrentes contém alterações significativas na recomendação número seis, apresentando diferenças relevantes de forma e conteúdo quando comparada com o documento original produzido pela instituição.
Para verificar a autenticidade do documento, a magistratura solicitou ao COE de Xai-Xai o envio da versão original. A comparação entre os dois documentos revelou que a matriz autêntica recomendava que os bens fossem armazenados em locais seguros, devido à falta de recursos financeiros para o aluguer de armazéns.
Entretanto, a cópia considerada adulterada passou a incluir uma cláusula que autorizaria o depósito dos donativos em residências protocolares e noutros locais próximos do armazém distrital.
Segundo informações divulgadas, o Governo Distrital de Xai-Xai confirmou oficialmente que o documento apresentado pela defesa dos arguidos é falso.
Face às novas evidências, as autoridades judiciais decidiram acrescentar o crime de falsificação de documentos ao processo.
Além desta nova acusação, os três arguidos continuam a responder pelos alegados crimes de peculato, abuso de cargo ou função e associação criminosa.
O processo prossegue os seus trâmites legais, enquanto as autoridades continuam a investigar os factos relacionados com o alegado desvio de produtos de assistência humanitária.
