Pai queima mão do próprio filho de 9 anos com água quente por causa de 500 meticais em Quelimane

Quelimane, Zambézia — Um caso chocante de violência doméstica e abuso infantil gerou forte indignação no bairro Micajune, nos arredores da cidade de Quelimane. Um menino de apenas 9 anos de idade teve a sua mão gravemente queimada com água quente pelo próprio pai, num ato que o agressor justificou como sendo uma forma de “disciplina”.

De acordo com as informações apuradas e divulgadas pelo Diário da Zambézia (DZ), o crime ocorreu nesta terça-feira. O pai, cuja identidade não foi facultada à imprensa, cometeu as agressões após o suposto desaparecimento de 500 meticais da sua barraca, responsabilizando o filho pelo sumiço do valor.

Revolta popular e rápida libertação

Revoltados com o episódio, que foi classificado como repugnante, os vizinhos da família intervieram imediatamente e conduziram o homem à 2ª Esquadra Policial de Quelimane, exigindo que este fosse criminalmente responsabilizado.
No entanto, o que mais surpreendeu a comunidade, segundo relatos locais, é que o cidadão permaneceu detido por apenas algumas horas na esquadra. Pouco tempo depois, o homem já se encontrava em liberdade, a “passear a sua classe” pelas ruas, como se nada tivesse acontecido.

Histórico de violência e negligência

Fontes do DZ indicam que esta não é a primeira vez que o indivíduo violenta o menino fisicamente. A crueldade do ato desta terça-feira foi agravada pela total falta de assistência por parte do agressor: após queimar gravemente a mão da criança, o pai não teve sequer a decência de acompanhar o menor ao hospital para receber os devidos cuidados médicos.

Silêncio da comunidade e das autoridades

Na quarta-feira seguinte ao crime, a equipa de reportagem deslocou-se ao bairro para aprofundar o caso, mas esbarrou na lei do silêncio. As tentativas de ouvir a parte da família do menor não tiveram sucesso e, no seio dos vizinhos, ninguém quis prestar declarações aos microfones da imprensa.

O Diário da Zambézia garante que continua a acompanhar o caso de perto. Até ao momento de publicação desta reportagem, a Polícia da República de Moçambique (PRM) ainda não se havia pronunciado oficialmente sobre as circunstâncias deste crime e a consequente libertação do suspeito.

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