Sector segurador moçambicano aposta na retenção de riscos e inovação para impulsionar crescimento económico
A indústria seguradora moçambicana está a atravessar uma fase de transformação, marcada pelo crescimento do mercado, reformas institucionais e novas oportunidades associadas aos grandes investimentos em infra-estruturas, energia e recursos naturais. A visão foi apresentada por Manuel Alfredo de Brito Gamito, presidente da Associação Moçambicana das Seguradoras (AMS), durante a 48.ª Conferência Anual da Organização das Seguradoras dos Estados Africanos (OESAI), realizada em Moçambique.
Perante representantes do sector segurador africano e internacional, Gamito destacou que o futuro da indústria passa pela criação de mercados mais sustentáveis, inclusivos e preparados para responder aos riscos económicos, ambientais e sociais que afectam o continente.
“Uma economia próspera constrói-se com mercados inclusivos, sustentáveis e credíveis, apoiados por uma sólida cultura de gestão e partilha de risco”, afirmou.
Um mercado em crescimento
O presidente da AMS sublinhou que o sector segurador moçambicano tem registado uma evolução consistente, impulsionada pelas reformas regulatórias e pelo fortalecimento das instituições de supervisão.
Segundo Gamito, o país passou de uma estrutura dominada por um número reduzido de operadores para um mercado actualmente composto por 23 seguradoras, uma resseguradora e uma microseguradora.
Para o dirigente, esta evolução demonstra uma maior maturidade do sector e abre espaço para novos investimentos, inovação tecnológica e expansão dos serviços financeiros.
Digitalização e inclusão financeira
Entre as prioridades estratégicas está a expansão do acesso ao seguro através da tecnologia. A digitalização, as carteiras móveis e os microseguros são apontados como instrumentos fundamentais para aproximar os produtos seguradores de segmentos ainda pouco abrangidos pelo mercado formal.
A aposta inclui também o desenvolvimento de seguros agrícolas e paramétricos, soluções consideradas essenciais para proteger pequenos produtores, famílias e empresas perante fenómenos climáticos e outros riscos emergentes.
“A inclusão seguradora é uma componente importante da construção de uma sociedade mais resiliente”, defendeu Gamito.
Reter riscos para fortalecer a economia
Um dos principais temas abordados pelo presidente da AMS foi a necessidade de aumentar a capacidade nacional de retenção de riscos, especialmente num contexto de crescimento dos grandes projectos económicos de Moçambique.
Para Gamito, os sectores de energia, infra-estruturas e recursos naturais representam uma oportunidade para desenvolver competências internas e garantir que uma maior parcela dos recursos financeiros permaneça no país.
“Reter mais risco no mercado nacional significa manter uma maior parcela dos recursos financeiros na economia, desenvolver conhecimento técnico e ampliar o potencial de investimento”, explicou.
Contudo, alertou que a retenção deve ser feita de forma responsável, respeitando a capacidade real do mercado.
“Não significa assumir todos os riscos, mas aumentar, com prudência, a capacidade nacional para gerir aquilo que o mercado consegue suportar”, acrescentou.
Moçambique reforça posição no mercado africano
A conferência da OESAI marcou também um momento importante para a afirmação internacional da indústria seguradora moçambicana. Durante o encontro, a Associação Moçambicana das Seguradoras foi eleita membro de pleno direito da organização.
Para Gamito, a integração representa um reconhecimento do papel de Moçambique e aumenta a responsabilidade do país na construção de uma indústria seguradora africana mais cooperante e competitiva.
“A cooperação entre os nossos mercados deixou de ser uma opção e passou a ser uma necessidade, porque os riscos e os impactos são cada vez mais globais”, afirmou.
Investimento e novas oportunidades
A AMS considera que o sector segurador deve ser visto como um parceiro estratégico do desenvolvimento económico, capaz de mobilizar capital, apoiar empresas e criar confiança para novos investimentos.
Gamito deixou um convite aos investidores e parceiros internacionais para olharem para Moçambique como um mercado com potencial de crescimento.
“Investir em seguros é investir na protecção e no crescimento de Moçambique”, afirmou.
No encerramento da sua intervenção, deixou uma mensagem sobre o papel estratégico do sector: “Reter o risco é fortalecer a economia. Fortalecer a economia é criar confiança. A confiança mobiliza investimento. O investimento gera emprego e o emprego cria prosperidade”.
Para a AMS, uma África com maior capacidade de gerir, reter e partilhar riscos estará mais preparada para enfrentar desafios futuros e transformar oportunidades em crescimento sustentável.
Seguros são fundamentais para a resiliência económica e inclusão financeira em África, defende dirigente da OESAI
O director executivo do grupo Sanlam Allianz Kenya PLC, Dr. Nyamemba Patrick Tumbo EBS, destacou a importância do sector de seguros como um dos principais pilares para a resiliência económica, inclusão financeira e desenvolvimento sustentável em África.

Patrick Tumbo EBS, GCEO Sanlam Allianz Kenya PLC
Falando durante a Conferência Anual da OESAI, realizada na cidade de Maputo, Tumbo reconheceu o papel do Governo e do povo moçambicano na promoção do desenvolvimento da indústria seguradora e agradeceu pela realização do evento no país.
“Estamos honrados por estar aqui nesta importante reunião. A presença da OESAI e dos delegados em Moçambique demonstra o compromisso do país com o crescimento do sector de seguros, enquanto instrumento de fortalecimento da economia e de inclusão financeira”, afirmou.
A conferência reúne mais de 600 participantes, entre líderes do sector segurador, reguladores, resseguradores, corretores, representantes de instituições financeiras, parceiros internacionais e legisladores ligados à indústria de seguros de várias partes do mundo.
Segundo o dirigente, o encontro constitui uma oportunidade para a partilha de experiências, ideias e soluções destinadas a fortalecer o futuro do sector, num contexto marcado por desafios globais.
“Estamos aqui para construir resiliência através de um mercado sustentável e inclusivo”, disse Tumbo, apelando aos participantes para reflectirem sobre os temas em debate durante os quatro dias da conferência.
O responsável salientou que África continua a enfrentar desafios como desastres relacionados com as mudanças climáticas, incertezas económicas, avanços tecnológicos e tensões políticas. Entretanto, considerou que o continente possui grandes oportunidades para inovação, investimento e crescimento inclusivo.
Para Tumbo, o sector de seguros desempenha um papel estratégico na protecção das populações, no apoio aos governos durante a recuperação de catástrofes e na criação de condições para que empresas invistam com maior confiança.
“O seguro é um instrumento essencial para proteger vidas, reduzir riscos financeiros e promover o desenvolvimento económico sustentável”, concluiu.
PM defende fortalecimento do mercado de seguros para impulsionar a economia
A Primeira-Ministra, Maria Benvinda Levi , em representação de Sua Excelência o Presidente da República, Daniel Francisco Chapo , dirigiu, em Maputo, a abertura da 48.ª Conferência Anual e Assembleia Geral da Organização das Associações de Seguros da África Oriental e Austral (OESAI).
Na sua intervenção, a dirigente destacou que mais cidadãos segurados significam famílias e empresas mais capazes de enfrentar imprevistos e contribuir para o desenvolvimento do País.
A Governante reconheceu que, apesar de África dispor de recursos naturais, uma população jovem, um sector privado dinâmico e uma crescente integração regional, enfrenta alterações climáticas, eventos extremos, riscos cibernéticos, transformação tecnológica, défices de infra-estruturas e incertezas da economia global. Perante estes desafios, a PM defende maior capacidade de antecipação, prevenção e gestão de riscos.
“Por isso, o fortalecimento dos mercados seguradores e dos fundos de pensões deve integrar a agenda de desenvolvimento económico e social, mobilizando poupança de longo prazo e financiando o investimento produtivo”, afirmou.

Maria Benvinda Levi , destacou ainda a importância do reforço institucional, reconhecendo que instituições fortes, mercados transparentes e supervisão eficaz são essenciais para a confiança dos cidadãos, empresas e investidores.
A título de exemplo, citou a criação e consolidação da Autoridade de Supervisão de Seguros e de Fundos de Pensões de Moçambique (ASFPM), a Associação Moçambicana de Seguradoras e a recentemente criada Associação Moçambicana de Mulheres em Seguros.
“A concretização sustentável destes investimentos exige mecanismos adequados de gestão e transferência de riscos e, por conseguinte, um mercado segurador sólido, profissional, inovador e capaz de responder a uma economia em transformação”, afirmou.
Para a economia nacional, os progressos registados pelo mercado segurador moçambicano demonstram o seu crescente contributo.
Actualmente, o sector integra 23 seguradoras, uma microseguradora, uma resseguradora, oito entidades gestoras de fundos de pensões, 201 corretoras e 37 agentes, revelando uma estrutura de mercado bastante diversificada.
Em 2025, a produção global do sector atingiu cerca de 24,6 mil milhões de Meticais, com uma taxa de penetração de aproximadamente 1,6%.
No primeiro semestre de 2026, a produção de seguros ultrapassou 12,2 mil milhões de Meticais, acima do período homólogo anterior.
Estes dados evidenciam um mercado em desenvolvimento e profissionalização, com capacidade crescente para proteger cidadãos, apoiar empresas e promover o investimento.
