O estudante moçambicano Cleiton Michaque está a testar um drone com autonomia projetada para percorrer até 200 quilómetros, com o objetivo de transportar medicamentos para zonas remotas de Moçambique onde o acesso por estrada é condicionado.
A ideia surgiu da necessidade de encontrar alternativas ao transporte terrestre de medicamentos e pequenas encomendas em regiões onde as cheias, os rios e o mau estado das estradas dificultam a circulação. “Em vez de usar a terra, por que não usamos o ar, o céu, como quem diz? Por que não usamos as vias aéreas?”, questiona o jovem.
Cleiton Michaque frequenta o primeiro ano do curso de Engenharia Eletrónica na Universidade Eduardo Mondlane (UEM), considerada a maior universidade do país. Para desenvolver o projeto, decidiu adaptar uma tecnologia normalmente utilizada em filmagens e competições de drones às necessidades de transporte de medicamentos.
A inspiração para o projeto surgiu também depois de observar as dificuldades enfrentadas por motociclistas que fazem a distribuição de medicamentos na província de Maputo.
Um jovem que já se destacou pela construção de drones
O projeto atual não é a primeira experiência de Cleiton Michaque na área. Em 2024, quando tinha apenas 17 anos, o jovem ganhou notoriedade ao construir um drone de corrida em fibra de carbono, com cerca de 250 gramas e capacidade para atingir uma velocidade de 240 quilómetros por hora.
A criação chamou a atenção da imprensa internacional, tendo sido divulgada pela DW África e levado Cleiton a viajar até ao Japão.
Protótipo já realiza voos de teste
O novo drone encontra-se na fase final de testes. Até ao momento, o protótipo tem realizado voos experimentais de aproximadamente dois quilómetros, muitos deles com início a partir da casa do estudante, no bairro Tsalala.
O equipamento está equipado com GPS e um sistema de navegação autónoma. Depois de receber as coordenadas, o drone consegue seguir uma rota previamente programada, chegar ao destino, entregar a carga e regressar sozinho ao ponto de partida.
As baterias utilizadas no equipamento são importadas da África do Sul e, actualmente, permitem entre 30 e 45 minutos de voo.
Do ponto de vista técnico, o drone consegue transportar até três quilogramas de carga. No entanto, por razões de segurança, os testes estão a ser realizados com cargas de, no máximo, dois quilogramas.
“Com dois quilos conseguimos carregar várias coisas, como encomendas”, explica Cleiton.
Da aprendizagem autodidata ao empreendedorismo
O interesse de Cleiton pelos drones começou em 2019, quando ainda era adolescente. Na altura, utilizava o computador do pai para aprender programação de forma autodidata e começou a desenvolver os seus próprios equipamentos.
Desde então, já construiu mais de uma dezena de drones e criou o Centro de Criação e Controlo, uma iniciativa através da qual já formou 17 jovens em áreas como pilotagem, programação e montagem de drones.
Agora, o estudante pretende continuar a desenvolver os seus conhecimentos e admite candidatar-se a bolsas de estudo no Japão, em Portugal ou nos Estados Unidos.
Entre esses destinos, Portugal surge como a sua opção preferencial devido à proximidade linguística.
No futuro, Cleiton Michaque pretende criar uma empresa moçambicana especializada em tecnologia de drones, apostando no desenvolvimento de soluções que possam responder a diferentes desafios do país, incluindo o transporte de medicamentos e pequenas encomendas para comunidades de difícil acesso.
