Colômbia terá candidata criada por Inteligência Artificial nas eleições

vecteezy a photo of a person interacting with a virtual assistant 26806152 26026264995766467951

Faltando poucas semanas para as eleições legislativas na Colômbia, uma proposta inédita passou a dominar o debate público: uma plataforma de Inteligência Artificial foi apresentada como candidata ao Congresso Nacional. O projeto, denominado Gaitana, disputa assentos no Senado e na Câmara dos Representantes pelo Distrito Eleitoral Especial Indígena.

Diferentemente dos candidatos tradicionais, Gaitana não é uma pessoa física. Nas redes sociais, é representada como uma mulher de pele azul e voz digital. Trata-se de um sistema tecnológico criado para recolher opiniões, organizar propostas e definir posicionamentos legislativos com base na participação coletiva da comunidade que a acompanha.

A iniciativa foi desenvolvida por Carlos Redondo, membro do povo Zenú, na região caribenha do país. Como a legislação colombiana não permite que uma Inteligência Artificial seja oficialmente registada como candidata, o Conselho Nacional Eleitoral autorizou que dois representantes humanos assumam as eventuais cadeiras, comprometendo-se a votar no Congresso de acordo com as decisões geradas pela plataforma.

Como funciona o modelo digital

O sistema opera a partir da contribuição dos utilizadores, que enviam sugestões de temas e propostas legislativas. A tecnologia organiza os conteúdos, produz resumos e apresenta versões simplificadas para facilitar a compreensão, inclusive com materiais visuais explicativos.

Atualmente, mais de dez mil participantes — entre indígenas e afro-colombianos — integram a comunidade digital. Após analisarem as propostas, registam as suas posições. Quando uma das opções atinge 50% mais um dos votos, forma-se o consenso, que passa a orientar a atuação dos representantes humanos nas sessões parlamentares.

Segundo o idealizador, o modelo inspira-se nas práticas tradicionais de deliberação das comunidades indígenas, adaptando-as ao ambiente digital.

Proposta alternativa ao sistema tradicional

A candidatura apresenta-se como uma alternativa ao modelo político convencional. Redondo argumenta que existe um afastamento entre os parlamentares e as reais necessidades da população. O projeto também prevê a redução de estruturas de gabinete, defendendo que a plataforma dispensaria parte da equipa técnica normalmente associada a um congressista.

Apesar do entusiasmo, o criador reconhece limitações tecnológicas, incluindo desafios ligados à segurança de dados e à gestão de opiniões divergentes. O sistema opera com três servidores de pequena escala, e os responsáveis afirmam que o impacto ambiental é reduzido.

Desafios e questionamentos

Entre as preocupações levantadas está a possibilidade de manipulação das votações digitais, caso grupos organizados tentem influenciar resultados estratégicos. Redondo admite o risco, mas considera que seria necessária uma mobilização significativa para alterar decisões de forma coordenada.

Outro ponto de incerteza envolve a adesão do eleitorado jovem. Estudos indicam que apenas cerca de um terço dos cidadãos com menos de 24 anos pretende participar nas eleições, o que pode influenciar diretamente o desempenho da candidatura.

A experiência coloca a Colômbia no centro do debate internacional sobre o uso de tecnologias digitais na política, ao propor que decisões legislativas sejam orientadas por um sistema alimentado pela participação coletiva.

Outras Notícias do Autor

julgamento de membros da ANAMOLA promete agitar a Manhiça

Mulher regressa da África do Sul após desilusão amorosa e enfrenta rejeição do ex-marido

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *