Militares das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), destacados no norte de Cabo Delgado, denunciaram esta sexta-feira (04 de julho) uma série de irregularidades graves que, segundo eles, comprometem diretamente o combate ao terrorismo naquela província. Em declarações exclusivas à Zumbo FM Notícias, os combatentes revelaram a existência de armamento danificado, suspeitas de traição interna e encenação na apresentação de baixas militares.
Armas Inoperacionais Colocam Vidas em Risco
De acordo com os soldados ouvidos, há militares a receberem armamento em péssimas condições — enferrujado, incompleto ou com defeitos técnicos — que os expõem ao perigo durante confrontos com grupos insurgentes.
“Muitos de nós somos mandados para a linha da frente com armas que nem disparam. Às vezes falta até a agulha de disparo. Se o combatente não inspecionar bem, só percebe quando o tiroteio começa… e aí pode ser tarde demais”, denunciou um militar, que preferiu manter o anonimato.
Outro combatente acrescenta que, por vezes, recebem “ferro velho” no lugar de armamento funcional, e que há negligência — ou mesmo má fé — por parte de quem distribui o equipamento.
“Dizem que estão a te dar uma arma, mas não tem nada. Se você não for esperto, não nota que está incompleta. Já aconteceu irem para o combate e a arma não funcionar”, reforçou.
“Não é culpa das drogas dos insurgentes, é das armas estragadas”
Os soldados também questionaram a narrativa oficial de que os fracassos nas operações se devem ao alegado uso de substâncias entorpecentes por parte dos insurgentes. Segundo eles, o verdadeiro problema está nas más condições do material de guerra.
“Depois dizem que os terroristas usam droga que estraga nossas armas… Isso não é verdade. As armas já vêm estragadas. O problema está do nosso lado”, afirmou um dos combatentes.
Manipulação de Dados Sobre Baixas em Combate
Outro tema que causou indignação entre os militares é a forma como as mortes em combate são comunicadas. Segundo eles, há uma estratégia deliberada para inflacionar os números de mortos ou encobrir falecimentos sem o devido respeito pelos procedimentos militares e pelas famílias.
“Depois de ataques pequenos, aparecem com sacos plásticos dizendo que morreram muitos homens. Mas às vezes nem há mortos. Isso é encenação”, contou um dos soldados.
Segundo os relatos, esses sacos são levados intencionalmente para o terreno, com o argumento de recolher corpos, mas na realidade serviriam para alimentar uma narrativa manipulada sobre a situação no terreno.
“Levamos sacos plásticos como se fosse para recolher cadáveres, mas muitas vezes é só para montar história. Nossos irmãos são enterrados sem a família sequer saber. Dizem que morreram tantos, mas ninguém confirma.”
Os militares denunciam que muitos colegas têm sido sepultados de forma anónima, e as famílias não são sequer informadas oficialmente — uma violação clara das normas militares e do respeito aos direitos humanos.
Fonte: Zumbo FM Notícias
