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Muanambe Defende que Filipe Nyusi Deve Ser Ouvido pela PGR sobre Mortes nas Manifestações

Maputo – O presidente da Associação Nacional das Polícias, Nazário Muanambe, defendeu que o antigo Presidente da República, Filipe Nyusi, deve ser chamado a depor pelo Ministério Público no âmbito da investigação sobre as graves violações de direitos humanos ocorridas durante as manifestações pós-eleitorais.

Segundo Muanambe, caso o depoimento do Comandante-Geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), Bernardino Rafael, não seja suficiente para esclarecer a atuação das Forças de Defesa e Segurança (FDS) nos protestos, cabe à Procuradoria-Geral da República (PGR) avançar para a audição do ex-Chefe de Estado, que, à época, exercia também o cargo de Comandante em Chefe das FDS.

“Se o Ministério Público não ficar suficientemente esclarecido com as declarações do Comandante-Geral, deve restar a hipótese de ouvir o Comandante em Chefe. As FDS têm uma estrutura hierárquica clara: o Comandante em Chefe, seguido pelo Comandante-Geral, e, abaixo, os comandos provinciais e distritais. Se a versão do Comandante-Geral não for convincente, então que se ouça o superior hierárquico”, declarou Muanambe durante sua intervenção no programa CIPCAST.

As manifestações pós-eleitorais resultaram em mais de 500 mortes e geraram ampla condenação nacional e internacional, com apelos ao esclarecimento do uso da força pelas autoridades.

Durante o mesmo debate, o psicoterapeuta Boia Efraime fez uma leitura crítica da atuação da Polícia e do discurso institucional durante os protestos, afirmando que Bernardino Rafael “atuou em defesa da Frelimo”.

“Pelo que se ouviu, houve vandalismo e destruição de bens, e o Comandante-Geral fez pronunciamentos que agradaram à lógica de um partido libertador como a Frelimo, que continua a manter certos valores históricos. Ele fez o que considera ser um bom trabalho, mas numa lógica herdada do colonialismo, onde o opositor é visto como inimigo e vândalo, e, portanto, sem direito à vida”, concluiu Efraime.

As declarações de Muanambe reacendem o debate sobre a responsabilização das lideranças envolvidas nas ordens de repressão e sobre o papel da Procuradoria-Geral da República na busca pela verdade e justiça, num contexto em que a violência pós-eleitoral ainda marca a memória coletiva do país.

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