Mocímboa da Praia, Moçambique – O governador da província de Cabo Delgado, Valige Tauabo, acusou grupos terroristas que atuam na região de sequestrar e usar crianças como escudos humanos durante confrontos.
A declaração foi feita no Posto Administrativo de Mbau, no distrito de Mocímboa da Praia, onde o dirigente alertou para uma “nova estratégia” dos insurgentes com o objetivo de dificultar as operações das Forças de Defesa e Segurança de Moçambique (FDS) e dos militares do Ruanda, que apoiam o combate ao terrorismo na província.
Segundo Tauabo, crianças entre 12 e 13 anos são raptadas em ataques a aldeias e forçadas a marchar na linha de frente. “Eles utilizam os menores como barreira de proteção, um ato que viola frontalmente os direitos fundamentais da criança”, afirmou. O governador acrescentou que tal prática limita a atuação das forças de segurança e aumenta os riscos para civis.
A denúncia surge em meio a alertas já emitidos por organismos internacionais. O UNICEF expressou profunda preocupação com o número crescente de sequestros de menores em Cabo Delgado, relatando que muitos são obrigados a participar de atividades armadas ou de apoio logístico, comprometendo gravemente sua segurança física e psicológica.
O conflito em Cabo Delgado, ativo desde 2017, já provocou milhares de mortes e mais de um milhão de deslocados internos. Caso se confirme o uso sistemático de crianças como escudos humanos, especialistas alertam para um novo patamar de brutalidade na guerra que assola o norte de Moçambique.
