Ministro da Defesa alerta para uso da desinformação como arma psicológica contra tropas e população

O ministro da Defesa Nacional, Cristóvão Chume, afirmou em Maputo que a desinformação se tornou um dos maiores desafios atuais para Moçambique, sendo utilizada como “arma psicológica” destinada a desmoralizar as forças de defesa, espalhar pânico entre a população e enfraquecer os esforços do Estado no combate ao terrorismo em Cabo Delgado.

Durante a abertura do II Seminário dos Comunicadores do Setor de Defesa, realizado sob o lema “Papel da Comunicação Estratégica nos Atuais Desafios do Setor de Defesa”, Chume destacou a gravidade do problema:
“Estamos perante uma guerra de informação e desinformação que ameaça a segurança nacional, a coesão social e a estabilidade económica. Várias narrativas manipuladas têm sido lançadas com o objetivo de confundir a opinião pública e fragilizar a moral das nossas forças”, alertou.

Comunicação como frente de combate

Segundo o governante, em tempos modernos, a informação passou a ser também um campo de batalha. Ele garantiu que as Forças de Defesa e Segurança continuarão a ser equipadas e modernizadas com novas tecnologias de comunicação, para permitir uma atuação proativa no combate à propagação de notícias falsas e rumores.

Chume recordou ainda que, durante as manifestações violentas pós-eleitorais de outubro de 2024, ficou evidente como a manipulação de informações pode desestabilizar a ordem pública e colocar em risco o Estado de Direito. “A vulnerabilidade das populações diante da desinformação mostrou a necessidade de uma comunicação estratégica, robusta e alinhada com a verdade”, frisou.

Cabo Delgado sob violência persistente

Desde outubro de 2017, Cabo Delgado, província rica em gás natural, enfrenta ataques armados reivindicados por grupos ligados ao Estado Islâmico. A mais recente vaga de violência, registada desde o final de julho, já resultou em mais de 57 mil deslocados, sobretudo no distrito de Chiúre, segundo dados de agências humanitárias.

O ministro admitiu no fim de julho a sua preocupação com a nova onda de ataques, reconhecendo que os insurgentes conseguiram atingir zonas mais afastadas do “centro de gravidade” das operações militares. “Como força de segurança, não estamos satisfeitos com o atual quadro. Continuamos no terreno a perseguir os terroristas”, declarou.

De acordo com o Centro de Estudos Estratégicos de África (ACSS), pelo menos 349 pessoas foram mortas em 2024 em ataques de grupos extremistas no norte de Moçambique — um aumento de 36% em relação ao ano anterior.

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