O antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, destacou esta quinta-feira os “excelentes resultados” que Moçambique tem registado na área da diplomacia desde a tomada de posse do atual chefe de Estado, Daniel Chapo, há menos de um ano.
Falando após receber o título de doutor ‘honoris causa’ em Diplomacia e Resolução de Conflitos pela Universidade Joaquim Chissano, em Maputo, Chissano afirmou que o atual Presidente merece “a mais alta honra” pelo trabalho desenvolvido em tão curto espaço de tempo.
Daniel Chapo assumiu a Presidência a 15 de janeiro deste ano, num período marcado por contestação pós-eleitoral, incluindo manifestações lideradas pelo então candidato Venâncio Mondlane, que sempre contestou os resultados.
Chissano, que governou Moçambique entre 1986 e 2005 e foi o primeiro ministro dos Negócios Estrangeiros após a independência, recordou que a diplomacia acompanha o país desde o processo de negociação dos acordos que antecederam a proclamação da independência, em 1975. Segundo ele, o papel diplomático tem sido determinante na superação de crises alimentares, na gestão da insegurança interna e na articulação de respostas às mudanças climáticas, além de contribuir para o desenvolvimento económico e social.
Nas últimas semanas, Daniel Chapo recebeu dois importantes sinais de confiança internacional: a TotalEnergies retirou a cláusula de força maior do projeto de gás em Cabo Delgado, suspenso desde 2021 devido aos ataques armados, e a ExxonMobil anunciou a mesma decisão. As duas iniciativas, avaliadas em cerca de 50 mil milhões de dólares, colocam Moçambique entre os grandes produtores de gás natural até 2030.
O título atribuído a Chissano surge no âmbito das celebrações dos 50 anos da independência e foi proposto pela Escola Superior de Relações Internacionais da Universidade Joaquim Chissano, sendo o décimo grau honorífico recebido pelo antigo estadista.
Durante a cerimónia, o reitor da Universidade Pedagógica de Maputo, Jorge Ferrão, sublinhou o papel decisivo de Chissano na descentralização do ensino superior no país, destacando que essa visão permitiu reduzir desigualdades históricas e expandir oportunidades académicas por todas as províncias. Ferrão defendeu ainda que instituições como a Universidade Joaquim Chissano e a Universidade Pedagógica são fruto direto dessa estratégia.
