O que deveria ser uma visita familiar transformou-se num pesadelo para Rodrigo Reis, que chora a morte da filha, Mónica, de 22 anos. O caso, repleto de inconsistências por parte das autoridades, levanta sérias questões sobre os procedimentos do Serviço de Investigação Criminal (SIC) e das instituições hospitalares.
O Desaparecimento e a Versão da Intoxicação
Mónica saiu de casa no início do mês, informando ao pai que passaria 12 dias em casa de uma tia. No entanto, a jovem terá ido, sem o conhecimento do progenitor, para a residência de uma amiga na zona do KK 5000.
Segundo informações recebidas pela família na 51ª Esquadra, Mónica e mais três amigas teriam passado mal após consumirem uma refeição (feijão com kizaca) oferecida pela mãe de uma das jovens. Enquanto as outras foram socorridas, Mónica teria falecido no local.
Versões Contraditórias das Autoridades
A dor da família é agravada por informações desencontradas fornecidas pelo SIC:
- Versão 1 (Esquadra): Morte por intoxicação alimentar em residência privada.
- Versão 2 (Comando do Kilamba): Mónica teria sido assassinada na via pública. Imagens mostradas ao pai revelam roupas ensanguentadas e ferimentos na testa, contradizendo a tese de envenenamento.
O Enterro Forçado
O ponto mais crítico do caso ocorreu na Morgue Central de Luanda. A família descobriu que o corpo da jovem deu entrada na madrugada de 19 de dezembro, mas foi enterrado apenas três dias depois (22 de dezembro), por alegada orientação governamental, sem que os parentes fossem localizados ou consultados, apesar de a polícia estar na posse dos pertences da vítima.
A família apenas soube da tragédia no dia 24 de dezembro, quando agentes do SIC apareceram na residência com os objetos pessoais de Mónica e a notícia do óbito e sepultamento já realizados.
