Um caso de violência policial choca a cidade de Nampula. Agentes do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) são acusados de deter e torturar brutalmente o jovem Ângelo Gaspar, após o confundirem com um suspeito de roubo de motorizada. O incidente ocorreu na zona de Muthotope, no bairro de Muhaivire, durante a madrugada da última quarta-feira (14).
Interrogatório sob violência
Segundo o depoimento da vítima à imprensa local, o grupo de agentes invadiu a sua residência por volta da meia-noite. Ângelo foi questionado sobre o paradeiro de uma moto furtada, mas, apesar de ter negado qualquer envolvimento e desconhecer o nome do suspeito procurado, os agentes ignoraram as suas explicações.
A ação estendeu-se a outras habitações da vizinhança. Uma testemunha relatou que os agentes arrombaram a sua porta, coagindo o seu marido a entregar dinheiro e a confessar o destino da suposta motorizada, embora a única viatura presente no local fosse uma mota antiga utilizada para o trabalho diário.
Agressões e fraturas graves
O relato de Ângelo Gaspar detalha um cenário de brutalidade:
- Imobilização forçada: Ainda perto de casa, um agente terá atingido o pé do jovem com um objeto para impedir qualquer tentativa de fuga.
- Tortura na esquadra: Mesmo após ser levado para a 2ª Esquadra da PRM, as agressões continuaram, com o jovem a ser esbofeteado diante de outros oficiais.
- Consequências físicas: Devido à gravidade das agressões, a vítima sofreu fraturas na perna direita.
Busca por justiça e silêncio oficial
Ângelo denunciou que, após as sessões de tortura, não recebeu qualquer assistência médica ou auxílio por parte dos agentes. O jovem pretende agora avançar com um processo-crime contra o chefe das operações, salientando que os agressores estavam devidamente identificados com crachás do SERNIC.
Questionada sobre o sucedido, a porta-voz do SERNIC em Nampula, Enina Tsinine, afirmou não ter conhecimento detalhado do caso até ao momento, prometendo pronunciar-se publicamente assim que a instituição terminar o levantamento das informações.

Esse é um comportamento recorrente das autoridades em Nampula, no ano passado espancaram brutalmente meu coleção táxista do pinto-faina por confundirem com águia e a uma semana meia noite arrombaram a porta do meu vizinho só para pedir desculpas que haviam confundido com a casa de um jovem que eles procuravam sem êxito.
Acha que deviam aprimorar sua maneira de atuação em alguns momentos apesar de saturação do próprio trabalho deles pois isso contribuir para uma maior colaboração polícia – comunidade.