LUANDA – A capital angolana está mergulhada em luto e indignação após a confirmação do homicídio bárbaro de Cotilde dos Anjos, de 22 anos. A jovem, que sofria de albinismo e era carinhosamente conhecida nas redes sociais como “Princesa Cotilde”, foi vítima de um crime que apresenta contornos de violência ritualística, chocando a opinião pública nacional e internacional.
O Desaparecimento e a Descoberta
Cotilde tinha sido dada como desaparecida no passado dia 13 de novembro de 2025. Após cinco dias de buscas incessantes por parte de familiares e amigos, o desfecho trágico confirmou-se no dia 18 de novembro, quando o seu corpo foi localizado num terreno baldio no bairro Rocha Pinto, no distrito urbano da Maianga (zona do Ingombota).
Cenário de Horror e Investigação
De acordo com os dados preliminares das autoridades policiais, o cadáver apresentava sinais de uma violência indescritível. Foram registadas mutilações severas, incluindo a remoção de órgãos vitais como olhos, língua e seios. A Polícia Nacional de Angola classificou o caso como homicídio qualificado e trabalha agora para identificar os responsáveis.
Embora Angola registe menos casos desta natureza comparativamente a países vizinhos como a Tanzânia ou o Malawi, as investigações apuram se o crime foi motivado por crenças supersticiosas que atribuem falsos poderes curativos ou de enriquecimento a partes do corpo de pessoas com albinismo.
Clamor por Justiça
A Associação Albina de Angola e outras organizações de Direitos Humanos já se manifestaram, exigindo uma resposta célere das autoridades. O assassinato de “Princesa Cotilde” tornou-se um símbolo da urgência em reforçar a proteção e a inclusão da comunidade albina no país, que se sente cada vez mais vulnerável perante tais atos de barbárie.
Até ao momento, as autoridades ainda não efectuaram detenções, mantendo-se a investigação sob segredo de justiça.
