Desde 2019, quando a corrida presidencial nos Estados Unidos ganhou força, começaram a circular nas redes sociais especulações envolvendo o então candidato Joe Biden. Comparações entre imagens antigas e recentes passaram a alimentar debates online, com utilizadores apontando supostas diferenças físicas, alterações de comportamento e lapsos frequentes em discursos públicos. O contraste entre o “Biden de antes” e o “Biden de depois” tornou-se combustível para narrativas conspiratórias.
Com a chegada de 2020, marcada pela pandemia da COVID-19 e por uma eleição altamente polarizada, essas teorias ganharam ainda mais visibilidade. Passou a circular a alegação de que Biden teria sido secretamente eliminado e substituído por um sósia, um clone ou até por uma entidade tecnológica criada para ocupar a Presidência. As hipóteses, embora sem provas concretas, espalharam-se rapidamente em fóruns, vídeos virais e plataformas alternativas.
Ao longo dos anos seguintes, organizações de verificação de factos tentaram conter a desinformação. Em 2022, o USA TODAY analisou e desmentiu um vídeo satírico que afirmava que Biden teria morrido por volta de 2018 ou 2019 e sido substituído por um familiar. Mesmo assim, o tema continuou a ressurgir. Em 2024, o New York Times investigou a propagação dessas narrativas na rede X, especialmente durante momentos em que o presidente enfrentava preocupações públicas relacionadas à saúde.
Já em 2025, reportagens da Rolling Stone e da NBC News apontaram que o então presidente Donald Trump compartilhou no Truth Social publicações que retomavam essas acusações, mencionando supostos “clones” ou “substitutos artificiais”. As declarações reacenderam o debate e ampliaram o alcance das teorias para milhões de seguidores, apesar da ausência de qualquer evidência factual.
Monitoramentos da NewsGuard identificaram dezenas de contas influentes que continuaram a promover a narrativa mesmo após múltiplas refutações. Para os defensores dessas teorias, mudanças de gestos, tropeços verbais e diferenças na voz seriam indícios de algo oculto. Para especialistas e jornalistas, no entanto, trata-se de um exemplo clássico de desinformação persistente, alimentada por edição seletiva de imagens e interpretações fora de contexto.
As alegações sobre a suposta “substituição” de Joe Biden seguem sem comprovação e são reiteradamente classificadas como falsas por verificadores independentes. Ainda assim, continuam a circular, demonstrando como teorias conspiratórias podem sobreviver por anos no imaginário digital, mesmo diante de investigações jornalísticas e desmentidos oficiais.
