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Desafios na Defesa: Ministro Cristóvão Chume admite dificuldades em estancar logística terrorista em Cabo Delgado

MAPUTO – Numa audição parlamentar realizada esta terça-feira (05 de Maio de 2026), o Ministro da Defesa Nacional, Cristóvão Chume, reconheceu publicamente a complexidade da situação militar no Norte do país. Em resposta direta aos deputados da Assembleia da República, o governante assumiu que o Estado enfrenta desafios significativos na proteção das fronteiras e na interrupção das cadeias de suprimento dos grupos extremistas.

​Vigilância Fronteiriça e Logística

​Segundo o ministro, uma das prioridades críticas do Executivo é o reforço da vigilância para neutralizar o fluxo logístico dos terroristas. Chume destacou que a permeabilidade das fronteiras não só facilita a movimentação de insurgentes, como também potencia a imigração ilegal, o tráfico e o contrabando, alimentando as redes de crime organizado transnacional que operam na região.

​Impacto nos Distritos e Circulação de Bens

​Embora as Forças de Defesa e Segurança (FDS) mantenham a pressão, o ministro admitiu que ataques de natureza “esporádica” continuam a fustigar distritos específicos, nomeadamente:

  • ​Macomia;
  • ​Muidumbe;
  • ​Mocímboa da Praia.

​Estas incursões têm condicionado a circulação normal de pessoas e bens, impactando diretamente a economia local e a segurança das populações que tentam retomar a normalidade.

​Recursos e Estratégia de Resposta

​Cristóvão Chume sublinhou que a manutenção da eficácia operacional exige um investimento massivo em recursos. O Governo reconhece a necessidade de sustentar o esforço de milhares de jovens que defendem a soberania nacional, focando-se em quatro pilares:

  1. ​Formação Especializada: Reforço do treino dos membros das FDS e das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM).
  2. ​Modernização: Apetrechamento técnico e aquisição de equipamento moderno.
  3. ​Mobilidade e Logística: Melhoria da capacidade de deslocação das tropas e vigilância.
  4. ​Operações Conjuntas: Manutenção de parcerias bilaterais para ações militares coordenadas.

​O Retrospecto de Oito Anos de Conflito

​A província de Cabo Delgado, estratégica devido às suas vastas reservas de gás natural, completa este ano oito anos sob ameaça extremista. O primeiro ataque foi registado a 05 de Outubro de 2017, na vila de Mocímboa da Praia.

​Dados recentes da organização ACLED (Armed Conflict Location & Event Data Project) traçam um cenário preocupante:

  • ​Últimas duas semanas (06 a 19 de Abril): Registados 11 eventos violentos, resultando em 9 mortes.
  • ​Total desde 2017: A contagem de vítimas mortais subiu para 6.527 óbitos.
  • ​Volume de Incidentes: Dos 2.356 eventos violentos registados desde o início da insurgência, a vasta maioria (2.184) está associada a elementos ligados ao Estado Islâmico em Moçambique (EIM).

​O Governo reitera que, apesar das dificuldades admitidas, o compromisso com a defesa da pátria e o apetrechamento das forças militares continua a ser a prioridade máxima para restaurar a paz total em Cabo Delgado.

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