Chapo apela aos insurgentes de Cabo Delgado para abandonarem a mata e aderirem ao diálogo

O Presidente da República, Daniel Chapo, apelou esta segunda-feira aos grupos armados responsáveis pelos ataques na província de Cabo Delgado desde 2017 para abandonarem a mata e aderirem ao diálogo, defendendo que a paz é indispensável para o desenvolvimento de Moçambique.

Falando durante um comício realizado no distrito de Montepuez, Chapo dirigiu-se aos insurgentes, afirmando que também são moçambicanos e apelando para que reflitam sobre a importância da paz.

Segundo o Chefe de Estado, ninguém consegue desenvolver um país através da guerra e, além da população, os próprios integrantes dos grupos armados também sofrem com o conflito. Acrescentou ainda que viver na mata não representa uma vida digna e defendeu que a paz beneficiará todos os moçambicanos.

Daniel Chapo afirmou que a mata foi feita para os animais e não para as pessoas, exortando os insurgentes que operam na província, rica em recursos naturais, a cessarem os ataques e integrarem o Diálogo Nacional Inclusivo.

O Presidente recordou que este processo foi lançado em 2025, no âmbito do acordo destinado a restaurar a paz e a estabilidade no país após a crise pós-eleitoral que se seguiu às eleições gerais de 2024.

Durante o discurso, Chapo reiterou que o Diálogo Nacional Inclusivo está aberto a todos os moçambicanos e defendeu que o desenvolvimento de Cabo Delgado e de todo o país depende do diálogo entre irmãos, da unidade nacional, da vigilância da população e da consolidação da paz.

Segundo o Presidente, a paz constitui a base para o desenvolvimento regional e nacional, permitindo ao país concentrar-se na construção de infraestruturas, na implementação de grandes projetos ligados aos recursos naturais e no investimento em capital humano.

O Chefe de Estado destacou ainda que o Governo possui um programa nacional para construir mais centros de saúde e hospitais, sublinhando que esses objetivos só poderão ser plenamente concretizados num ambiente de paz.

Daniel Chapo garantiu que o combate ao terrorismo continuará até que Cabo Delgado recupere a estabilidade, permitindo que a população possa viver e trabalhar em segurança.

A província de Cabo Delgado enfrenta uma insurgência armada desde 5 de outubro de 2017, quando foi registado o primeiro ataque no distrito de Mocímboa da Praia.

Segundo estimativas das Nações Unidas, pelo menos 28 pessoas morreram e 49 foram raptadas durante ataques terroristas registados em Cabo Delgado no mês de maio, numa altura em que o conflito se expandiu para zonas anteriormente menos afetadas.

Dados do Armed Conflict Location & Event Data Project (ACLED) indicam ainda que, nas duas primeiras semanas de junho, foram registados 11 incidentes violentos atribuídos a grupos extremistas ligados ao autoproclamado Estado Islâmico na província. Os ataques provocaram oito mortes, elevando para 6.632 o número total de vítimas mortais desde o início da insurgência, em 2017.

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