Ala contestatária da RENAMO avança com nova providência cautelar para afastar Ossufo Momade

A ala contestatária da RENAMO, liderada pelo histórico membro do partido António Muchanga, anunciou que irá submeter, ainda esta semana, uma nova providência cautelar com o objetivo de obrigar o presidente da formação política, Ossufo Momade, a convocar o Conselho Nacional para dar início ao processo de eleição de uma nova liderança.

Segundo António Muchanga, citado pela comunicação social moçambicana, a intenção é forçar a realização, com urgência, do Conselho Nacional, que deverá convocar um Congresso Extraordinário da RENAMO.

“Vamos apresentar a providência cautelar que vai obrigar Ossufo Momade a realizar o Conselho Nacional o mais rapidamente possível, para que seja convocado o Congresso Extraordinário”, declarou.

O antigo deputado da Assembleia da República explicou que o objetivo é criar condições para a eleição de novos órgãos dirigentes, permitindo que a preparação dos próximos processos eleitorais seja conduzida por uma nova direção do partido.

“Queremos que o novo líder da RENAMO, a nova Comissão Política e o novo Conselho Nacional sejam os responsáveis por conduzir este processo”, afirmou.

Muchanga acrescentou que tem percorrido diversas províncias do país para mobilizar apoio em torno da contestação à atual liderança, defendendo que o movimento continua a ganhar força e que a direção liderada por Ossufo Momade deve deixar o poder para permitir a reorganização interna da RENAMO.

Na sua opinião, a renovação da liderança é indispensável para preparar o partido para os próximos desafios eleitorais, incluindo as eleições autárquicas previstas para 2028.

Apesar de reconhecer limitações financeiras, garantiu que a contestação vai prosseguir.

“Todos nós que estamos unidos nesta causa de salvar a RENAMO desta gestão danosa e vergonhosa, conduzida por Ossufo Momade e os seus acólitos, podemos alcançar os nossos objetivos mesmo sem dinheiro”, declarou.

Ossufo Momade, de 65 anos, assumiu a presidência da RENAMO em 2018, após a morte de Afonso Dhlakama, e foi reeleito em maio de 2024, num processo que gerou contestação interna. Posteriormente, afirmou que não pretende voltar a candidatar-se à liderança do partido.

Nos últimos anos, a direção de Momade tem enfrentado críticas crescentes, sobretudo depois das eleições gerais de 2024, nas quais obteve cerca de 6% dos votos na eleição presidencial, o pior desempenho de sempre de um candidato apoiado pela RENAMO.

Além disso, o partido registou uma redução significativa da sua representação parlamentar, passando de 60 deputados eleitos em 2019 para apenas 28 assentos após as eleições de 2024.

Na semana passada, António Muchanga acusou igualmente Ossufo Momade de manter silêncio perante alguns dos principais problemas que afetam o país, incluindo o conflito armado em Cabo Delgado e o aumento do custo de vida.

Em maio deste ano, antigos guerrilheiros da RENAMO apresentaram uma participação à Procuradoria-Geral da República (PGR), exigindo que o líder do partido preste contas sobre a gestão dos recursos financeiros recebidos pela formação política nos últimos dois anos.

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