INGD Aponta a Antecipação como Fator Crucial na Gestão de Desastres Durante Balanço da Época 2025/2026

A presidente do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), Luísa Meque, sustentou que a antecipação constitui o eixo central para a gestão de desastres em Moçambique, intervenção proferida durante o balanço oficial da Época Chuvosa e Ciclónica 2025/2026, decorrido numa quarta-feira em Maputo.

O evento congregou o Conselho Técnico de Gestão e Redução do Risco de Desastres (CTGD), parceiros internacionais de cooperação, agências das Nações Unidas, sociedade civil e dirigentes locais, servindo para examinar os impactos do período e estipular as prioridades para o ciclo preventivo seguinte.

Impactos e Ações Antecipadas

O relatório apresentado detalhou que a época 2025/2026 foi impactada por secas, cheias, inundações, surtos de cólera e pelo impacto do Ciclone Tropical GEZANI. No total, 1.684.963 pessoas sofreram os efeitos destes eventos adversos, um valor que se manteve abaixo das projeções apontadas inicialmente no Plano de Contingência.

Luísa Celma Meque frisou que os resultados evidenciam que investir preventivamente antes de um desastre concretizar-se faz a distinção entre mitigar perdas ou enfrentar danos humanos e materiais severos. Entre dezembro de 2025 e março de 2026, implementaram-se oito medidas preventivas em seis bacias hidrográficas e uma operação direcionada ao ciclone, o que possibilitou a evacuação de 7.214 cidadãos e a difusão de avisos antecipados a cerca de 1,5 milhão de pessoas, alcançando uma antecedência de até cinco dias em determinados casos.

A dirigente realçou igualmente o papel fundamental prestado pelos voluntários e pelas comunidades locais, que atuaram na linha da frente de socorro quando os meios formais esgotaram a capacidade de resposta.

Necessidade de um Alerta Orientado para o Impacto

Para o futuro, a presidente defende a evolução para um modelo de aviso prévio mais assertivo e direcionado para o impacto real, onde o objetivo não se limite a anunciar o fenómeno, mas sim a identificar os locais mais afetados, as populações em risco e os procedimentos protetivos que cada comunidade deve adotar.

O encontro contou com a presença de administradores de distritos severamente atingidos, nomeadamente Natália Fernando Chivambo (Govuro), Matias Albino Parruque (Manhiça), José Tomás Lopes (Machanga), José Mucono Paulo Mavume Mutoroma (Buzi), Avelina Jorge Nhamzimo (Xai-Xai), Jaime Mugabe (Guijá) e Narciso Nhamuhuco (Chókwè), além do presidente do Município de Xai-Xai, Ossemane Chahabudine Adamo, e do chefe do Posto Administrativo de Maganja da Costa, Pedro Viola Catangala. A participação destes responsáveis permitiu integrar as vivências reais do terreno no debate estratégico.

Preparação para a Próxima Época e Apelo ao Financiamento

O encerramento do balanço não representa o término da preparação, assinalando antes o arranque da planificação para a época 2026/2027, tendo em conta as previsões da ocorrência de um fenómeno El Niño de forte intensidade. Luísa Celma Meque apelou a ações imediatas, tais como a revisão de planos de contingência, o reforço de rotas alternativas, o pré-posicionamento de recursos e a garantia de financiamento preventivo.

No encerramento, a líder do INGD expressou reconhecimento técnico e institucional aos operadores da UNAPROC, às Forças de Defesa e Segurança e às populações, reiterando que a missão fundamental do país passa por antecipar riscos, mitigar vulnerabilidades e salvaguardar vidas humanas.

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