Maputo | 6 de Agosto de 2026
A Procuradoria-Geral da República (PGR) alertou para a rápida capacidade de adaptação do crime organizado face às recentes alterações legislativas. As redes criminosas estão, cada vez mais, a utilizar inovações tecnológicas e engenharias societárias complexas para escapar aos radares das autoridades e contornar os mecanismos de fiscalização nacionais e internacionais.
O alerta foi deixado por Taibo Mucobora, procurador-geral adjunto, durante a sua intervenção na abertura de um seminário na capital do País. O evento, promovido pelo Gabinete Central de Combate ao Crime Organizado e Transnacional (GCCCOT), debateu estratégias de prevenção e combate ao branqueamento de capitais, ao financiamento do terrorismo e à proliferação de armas de destruição maciça.
A Sofisticação do Crime Transnacional
Segundo o magistrado, a actuação destes grupos atingiu um nível que descreveu como “extraordinariamente sofisticado”. A criminalidade transnacional deixou de se limitar às actividades ilícitas tradicionais e passou a usar novos métodos para ocultar e lavar os seus lucros, recorrendo a:
- Criação de empresas com aparência legítima;
- Transacções envolvendo activos virtuais;
- Exploração de vastas redes internacionais.
Face a esta evolução, Mucobora reiterou que “seguir o rasto do dinheiro” mantém-se como uma das tácticas mais assertivas para desmantelar estas redes, recuperar activos roubados, proteger a economia formal e demonstrar inequivocamente que o crime não compensa.
A Importância de Manter as Reformas do GAFI
O representante da PGR aproveitou a ocasião para defender a manutenção rigorosa das reformas estruturais que, a 24 de Outubro de 2025, ditaram a saída de Moçambique da lista cinzenta do Grupo de Acção Financeira Internacional (GAFI), na qual o País esteve inserido durante três anos.
Mucobora apelou a que o cumprimento contínuo das recomendações do GAFI não seja encarado como uma simples imposição externa, mas sim como um mecanismo vital para a salvaguarda da economia e o fortalecimento das instituições nacionais. Um sistema anti-branqueamento robusto e eficaz, sublinhou, traz múltiplos benefícios:
- Protege a integridade de todo o sistema financeiro;
- Dificulta severamente a infiltração de redes criminosas na economia real;
- Reforça a confiança dos parceiros internacionais no País;
- Fomenta um ambiente propício e seguro para o investimento e o desenvolvimento sustentável.
A concluir, a PGR vincou que a vitória sobre o crime organizado exige uma profunda cooperação, coordenação, partilha atempada de informações e confiança mútua entre as diversas instituições do Estado. A instituição lembrou ainda que esta batalha complexa não se inicia apenas no momento das detenções, nem se esgota nas salas dos tribunais.
(Notícia baseada em informações da agência Lusa)
