Moradores de Machare, nos subúrbios da cidade de Inhambane, denunciam alegadas ameaças de detenções por parte da Polícia da República de Moçambique (PRM), após manifestações relacionadas com a falta de energia eléctrica na zona.
Segundo os residentes, há cerca de cinco anos que a comunidade aguarda pela ligação à corrente eléctrica da rede nacional. Ao longo desse período, afirmam que várias promessas foram feitas, mas sem que o projecto fosse concretizado.
De acordo com a população, a Electricidade de Moçambique (EDM) chegou a disponibilizar materiais destinados à electrificação da área, incluindo postes e cabos de baixa tensão, o que aumentou as expectativas dos moradores quanto à chegada da energia.
No entanto, os residentes alegam que, há aproximadamente duas semanas, o projecto inicialmente destinado a Machare foi redireccionado para o bairro 4 de Outubro, localizado a cerca de dois quilómetros de distância.
A decisão terá gerado revolta entre os moradores, que afirmam não ter recebido explicações sobre a mudança do projecto. Em sinal de protesto, alguns membros da comunidade dirigiram-se ao empreiteiro responsável pela execução da obra e entregaram um dos cabos de baixa tensão, numa tentativa de impedir o avanço da electrificação para o outro bairro.
A atitude foi interpretada por alguns moradores como uma forma de protesto resumida na expressão popular: “Se nós não temos energia, ninguém vai ter.”
Desde então, instalou-se um clima de tensão entre a população de Machare e o empreiteiro contratado pela EDM para executar os trabalhos de electrificação na região.
Na quarta-feira, 9 de Setembro, a PRM foi chamada ao local para intervir perante o ambiente de descontentamento e os desentendimentos entre os moradores e o empreiteiro, que, segundo a população, estaria a executar o desvio do projecto.
Os residentes afirmam que, durante a intervenção, elementos da corporação terão ameaçado deter pessoas consideradas líderes ou organizadoras daquilo que alguns classificam como uma “greve de energia” em Machare.
Por sua vez, a EDM em Inhambane considera que a população actuou de má-fé ao impedir os trabalhos do empreiteiro. A empresa assegura, contudo, que pretende dialogar com os moradores e aproximar-se da comunidade para prestar esclarecimentos e apresentar uma resposta em relação ao problema.
O caso continua a gerar debate entre os residentes, que exigem explicações sobre o futuro do projecto de electrificação e defendem que a comunidade tenha acesso à energia eléctrica prometida há vários anos.
