Pelo terceiro dia consecutivo, agentes fortemente armados da Unidade de Intervenção Rápida (UIR) continuam posicionados nas imediações das estruturas da Renamo em Quelimane, província da Zambézia.
A presença policial ocorre junto à Delegação Provincial da Renamo na Zambézia e à Delegação Distrital de Quelimane, cujas instalações permanecem fechadas, sem militantes no interior, segundo informações divulgadas sobre a situação.
O destacamento da UIR teve início na manhã de sábado, 19 de Setembro, num período de fortes divergências dentro da Renamo entre a direcção liderada por Ossufo Momade e sectores que contestam a actual liderança e defendem mudanças na condução do partido.
Até ao momento, não existe uma explicação oficial das autoridades sobre a missão específica da UIR junto às instalações partidárias. A presença da força policial acontece enquanto se mantém a disputa pelo controlo das estruturas da Renamo na província da Zambézia.
Apesar do aparato policial e do isolamento das instalações, não há indicação, nas informações disponíveis, de uma invasão física dos edifícios ou de confrontos nas imediações.
Disputa interna na Renamo
A presença da UIR ocorre num contexto de uma crise interna que envolve diferentes sectores da Renamo.
De um lado está a direcção do partido, liderada por Ossufo Momade. Do outro, encontram-se sectores que contestam a actual liderança e defendem mudanças na condução da formação política, incluindo a realização de um congresso extraordinário.
Informações publicadas sobre o caso indicam que a disputa pelo controlo das estruturas partidárias na Zambézia contribuiu para o agravamento da tensão em torno das delegações.
A situação também se insere num quadro mais amplo de conflitos internos na Renamo, que já levaram anteriormente ao encerramento ou ocupação de estruturas do partido por grupos que contestam a liderança de Ossufo Momade.
Silêncio das autoridades
Um dos principais pontos ainda sem esclarecimento é a razão oficial para a permanência da UIR junto às instalações da Renamo.
Até às informações disponíveis, não havia um posicionamento oficial da Polícia da República de Moçambique (PRM) explicando a missão específica do contingente destacado em Quelimane, nem uma explicação pública da direcção da Renamo sobre a situação.
Assim, o impasse permanece enquanto os agentes da UIR continuam posicionados nas proximidades das estruturas partidárias e as instalações permanecem fechadas.
A evolução da situação poderá depender dos próximos posicionamentos da PRM e da direcção da Renamo, bem como do desenrolar da disputa interna que envolve o controlo das estruturas do partido na Zambézia.
