O antigo Presidente da República de Moçambique, Filipe Nyusi, apelou à cautela na abordagem ao julgamento de Venâncio Mondlane, advertindo que a antecipação de acontecimentos relacionados com o processo judicial pode provocar interferências.
Nyusi fez estas declarações na Praça dos Heróis, na cidade de Maputo, durante as cerimónias alusivas aos 40 anos da morte de Samora Machel, antigo Presidente moçambicano.
“Não podemos sofrer de antecipação, senão vai criar interferências”, afirmou o antigo Chefe do Estado, ao pronunciar-se sobre o processo judicial que envolve Venâncio Mondlane.
O julgamento está relacionado com as manifestações pós-eleitorais de 2024, que ocorreram na sequência das eleições gerais realizadas no país. No âmbito do processo, Mondlane responde a várias acusações formuladas pelo Ministério Público, entre as quais incitamento ao terrorismo e desobediência colectiva, que deverão ser apreciadas pelo tribunal.
O Tribunal Supremo marcou o início do julgamento para o dia 17 de Novembro de 2026, depois de o processo ter sido adiado relativamente à data inicialmente prevista.
A instância judicial rejeitou igualmente o pedido apresentado pela defesa de Venâncio Mondlane para que as audiências fossem transmitidas em directo, por via audiovisual.
As declarações de Filipe Nyusi surgem num contexto de expectativa em torno do processo judicial, tendo o antigo Presidente defendido que a antecipação de acontecimentos pode interferir no seu desenvolvimento.
