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Super El Niño pode tornar-se um dos mais fortes de sempre; veja quando deverá atingir o pico

O fenómeno climático El Niño poderá tornar-se um dos mais intensos de que há registo, com as temperaturas das águas do Oceano Pacífico a aproximarem-se de níveis potencialmente recordistas. As projecções internacionais indicam que o fenómeno deverá intensificar-se nas próximas semanas, podendo atingir o seu pico em Dezembro de 2026.

Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), o actual episódio poderá ultrapassar alguns dos eventos mais fortes registados nas últimas décadas. Contudo, os especialistas alertam que as previsões ainda dependem de confirmação através das observações meteorológicas.

Dezembro poderá marcar um novo recorde

As projecções divulgadas pela OMM apontam para um aquecimento médio de aproximadamente 3,7 graus Celsius acima dos valores normais na região Niño 3.4, situada no Pacífico equatorial e utilizada para medir a intensidade do El Niño.

A estimativa para o trimestre de Outubro a Dezembro supera os 2,6 graus Celsius registados durante o episódio de 2015 e 2016, considerado um dos mais intensos da história recente.

Caso estas projecções se confirmem, o El Niño de 2026 poderá estabelecer um novo recorde de intensidade. No entanto, Dezembro corresponde ao período estimado de maior aquecimento, não sendo ainda uma confirmação definitiva da data exacta do pico.

O que é o Super El Niño e por que preocupa os cientistas?

O El Niño é um fenómeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial central e oriental.

Este processo altera a circulação atmosférica e influencia os padrões de precipitação e temperatura em diferentes partes do mundo.

Quando apresenta uma intensidade excepcional, o fenómeno é frequentemente designado por Super El Niño, embora esta expressão não corresponda a uma classificação meteorológica oficial.

Os seus efeitos variam consoante a região. Em determinadas zonas, pode favorecer secas prolongadas e temperaturas elevadas. Noutras, aumenta a probabilidade de chuvas intensas e inundações.

Devido à intensidade prevista para o actual episódio e ao potencial de modificar os padrões climáticos durante vários meses, os principais centros internacionais de meteorologia estão a acompanhar de perto a evolução do fenómeno.

Efeitos em Portugal: o que explica o IPMA

Apesar da dimensão global do El Niño, a sua influência em Portugal é diferente da registada em países próximos do Oceano Pacífico.

Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), o impacto do fenómeno em Portugal continental é indirecto e pouco significativo quando comparado com o que ocorre em regiões como a América do Sul e a Austrália.

O instituto explica que uma eventual ligação entre o El Niño e o clima português poderá ocorrer através da Oscilação do Atlântico Norte, conhecida pela sigla NAO.

Este padrão atmosférico influencia a circulação das depressões atlânticas e, consequentemente, a precipitação e a temperatura na Península Ibérica, sobretudo durante o Inverno.

No entanto, as análises do IPMA não identificaram uma relação estatisticamente significativa que permita associar directamente os episódios de El Niño a padrões específicos de chuva ou temperatura em Portugal continental.

Assim, a ocorrência de um Super El Niño não significa necessariamente que Portugal terá um Inverno mais quente, mais seco ou mais chuvoso.

As condições meteorológicas dependerão igualmente da circulação atmosférica no Atlântico e de outros factores regionais.

Fenómeno poderá prolongar-se até 2027

O pico previsto para Dezembro não significa que o El Niño termine com a chegada do novo ano.

As projecções internacionais admitem a possibilidade de o fenómeno continuar activo durante os primeiros meses de 2027, mantendo a sua influência sobre os padrões de circulação atmosférica em diferentes regiões do planeta.

Mesmo depois de as temperaturas do Pacífico começarem a baixar, alguns efeitos climáticos poderão persistir durante algum tempo.

A evolução das temperaturas oceânicas e dos ventos será determinante para estabelecer a velocidade com que o fenómeno irá enfraquecer.

Por enquanto, Novembro e Dezembro serão meses decisivos para perceber se o El Niño de 2026 conseguirá superar os recordes anteriores e entrar para a história da meteorologia.

Fonte: Jornal SOL

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