Moçambique pretende diminuir progressivamente a dependência dos combustíveis líquidos importados, apostando no aumento da utilização do gás natural como fonte alternativa de energia. A informação foi avançada esta quarta-feira pelo ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale.
Como parte desta estratégia, o governante destacou a entrada em funcionamento, em 2026, da Unidade de Processamento Integrado de Gás Natural, situada no distrito de Inhassoro, província de Inhambane. A infraestrutura terá capacidade para produzir até 30 mil toneladas de gás de petróleo liquefeito (GPL) por ano, produto vulgarmente conhecido como gás de cozinha.
Segundo Estêvão Pale, a unidade deverá permitir uma redução de aproximadamente 70% nas importações de gás de cozinha, contribuindo para aumentar a oferta e melhorar a disponibilidade deste combustível no mercado nacional.
Durante a sua intervenção na Assembleia da República, o ministro anunciou igualmente que o Governo está a trabalhar na expansão da rede de abastecimento de gás natural veicular (GNV), com a instalação de oito novos postos, cuja entrada em funcionamento está prevista para 2027.
Do total de infraestruturas projectadas, três serão construídas na cidade e província de Maputo, duas na província de Gaza e outras três em Inhambane.
O Executivo pretende também aumentar a utilização de autocarros movidos a gás natural nos transportes públicos, enquadrando esta medida nos esforços para diversificar a matriz energética do país.
Na mesma ocasião, Estêvão Pale reconheceu que os constrangimentos no abastecimento de combustíveis têm consequências directas para as famílias, transportadores, agricultores, pescadores, bem como para os sectores industrial e empresarial.
Perante os deputados, o governante explicou que o Governo está a concentrar a sua actuação em três áreas prioritárias: assegurar a disponibilidade de combustíveis através da regularização das importações; minimizar o impacto dos custos sobre os consumidores e os sectores produtivos; e diversificar as fontes energéticas, de modo a fortalecer a segurança energética nacional.
O ministro garantiu ainda que serão reforçadas as acções de fiscalização para combater o desvio ilegal de combustíveis, a comercialização nos mercados paralelos, a retenção injustificada de reservas e as práticas especulativas.
Estêvão Pale reafirmou, por fim, o compromisso do Executivo de garantir o abastecimento regular do mercado nacional, salvaguardar o poder de compra das famílias e criar condições para que a economia moçambicana continue a funcionar normalmente.
