Uma cidadã estrangeira de 45 anos foi detida pela Polícia de Segurança Pública (PSP), através da Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras (UNEF), no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, por fortes suspeitas da prática do crime de tráfico de pessoas.
A detenção ocorreu no dia 25 de julho, após a mulher chegar num voo proveniente de Dakar, no Senegal, acompanhada por uma menina de 12 anos. Durante uma entrevista realizada pelas autoridades, a criança revelou que não tinha qualquer vínculo familiar com a suspeita e afirmou que os próprios pais a entregaram para ser levada até França, onde seria entregue a um homem com quem alegadamente teria sido prometida em casamento para saldar uma dívida da família.
Segundo um comunicado da PSP, a intervenção teve início depois de serem detetadas inconsistências na documentação apresentada e nas declarações prestadas pelas duas passageiras durante o controlo fronteiriço na zona de chegadas do Terminal 1 do aeroporto de Lisboa, o que levou as autoridades a aprofundarem a investigação.
Inicialmente, a mulher afirmou ser mãe da menor. No entanto, com o apoio de um guarda de fronteira da Frontex destacado no Aeroporto de Lisboa, os investigadores concluíram que essa versão não correspondia à verdade.
As autoridades apuraram ainda que a menina utilizava um documento de viagem pertencente a outra pessoa. Durante o depoimento, a criança contou que tinha sido vendida pelos pais para liquidar uma dívida familiar.
Posteriormente, a suspeita admitiu ter recebido dinheiro para transportar a menor e entregá-la em França. Face à gravidade dos factos e aos indícios recolhidos, a PSP procedeu à sua detenção e retirou imediatamente a criança da sua companhia, após validação do Ministério Público.
Entretanto, foram ativados os mecanismos de proteção da menor para garantir a sua segurança e afastá-la da situação de risco. A criança encontra-se atualmente sob acompanhamento de Equipas Multidisciplinares Especializadas de Assistência a Vítimas de Tráfico e manifestou receio de regressar ao seu país de origem ou de voltar a ser entregue aos pais, por temer ser novamente usada como forma de pagamento de dívidas.
A mulher foi constituída arguida e apresentada ao primeiro interrogatório judicial, tendo-lhe sido aplicada a medida de coação mais gravosa, a prisão preventiva.
A investigação continua em curso para esclarecer todas as circunstâncias do caso e identificar outros eventuais envolvidos.
