O escândalo financeiro que envolve o Instituto Nacional de Segurança Social (INSS) ganha novos contornos com alegações sobre o património imobiliário do antigo director financeiro da instituição, Jaime Nhavene, conhecido por “Nha”.
Segundo informações divulgadas pelo Canal de Moçambique, Nhavene, que se encontra detido desde abril no âmbito do processo que investiga um alegado desvio de cerca de 500 milhões de meticais dos cofres do INSS, terá adquirido diversos imóveis de elevado valor em Moçambique e no estrangeiro.
As informações surgem num contexto em que as autoridades continuam a investigar o destino dos fundos alegadamente desviados da instituição.
Dois apartamentos de luxo no Dubai
Entre os imóveis atribuídos ao antigo responsável financeiro estão dois apartamentos de luxo no empreendimento The First Collection, localizado no Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
De acordo com os dados divulgados, os dois apartamentos terão sido adquiridos e posteriormente oferecidos à esposa de Jaime Nhavene, Áuria Nhavene.
Cada uma das unidades terá custado aproximadamente 26,3 milhões de meticais, o que representa um investimento total estimado em 52,6 milhões de meticais apenas nos dois imóveis situados no Dubai.
Património também em Maputo
A alegada aquisição de imóveis de alto padrão não se teria limitado ao estrangeiro.
Na cidade de Maputo, Jaime Nhavene terá adquirido igualmente um apartamento num condomínio de luxo localizado na Avenida Julius Nyerere, uma das zonas mais valorizadas da capital moçambicana.
O imóvel está avaliado em aproximadamente 32,5 milhões de meticais, segundo as informações divulgadas.
A inauguração do empreendimento estava prevista para breve, de acordo com os dados apresentados na investigação.
Investigação ao património
Os novos elementos são apontados como parte das investigações sobre o alegado esquema financeiro envolvendo antigos responsáveis do INSS.
Segundo a publicação, os dados reforçam a tese apresentada pelo Ministério Público, segundo a qual teria existido um esquema de desvio sistemático de fundos públicos destinado ao enriquecimento ilícito de altos funcionários da instituição.
As autoridades continuam a rastrear os activos que terão sido adquiridos pelos suspeitos, tanto em Moçambique como no exterior, numa tentativa de determinar a origem dos recursos utilizados na compra dos imóveis e identificar outros bens eventualmente relacionados com o processo.
O caso continua sob investigação e os factos atribuídos aos envolvidos deverão ser apreciados pelas autoridades judiciais competentes.
