Um caso de alegadas irregularidades no processo de preenchimento de vagas no Serviço Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia de Gorongosa, na província de Sofala, está a levantar questionamentos e suspeitas de possível corrupção.
Documentos consultados pela nossa equipa indicam que, na pauta provisória de apuramento, o candidato Devet Paulino Paulo Morais, concorrente à vaga de Docente N1 – Ensino de Francês, encontrava-se na sexta posição e não compareceu à entrevista.
Na coluna correspondente à entrevista, o candidato aparece com zero valores, tendo registado uma média final de 9,1 valores, com a indicação “Faltou”.
Entretanto, no edital final publicado pelo Serviço Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia de Gorongosa, o mesmo candidato aparece na primeira posição entre os nove candidatos chamados para ocupar as vagas disponíveis na carreira de Docente N1 – Ensino de Francês.
De acordo com o edital, os candidatos seleccionados resultam do chamamento de suplentes de concursos ainda em vigor, devido à existência de vagas disponíveis.
Apesar dessa explicação, o procedimento está a suscitar dúvidas, sobretudo porque outros candidatos que constavam da pauta provisória como “Aprovados”, incluindo concorrentes com classificações finais superiores e que participaram na entrevista, não aparecem entre os candidatos chamados.
Um dos casos mencionados é o de Ana António Miguel Morais, que obteve uma média final de 12,85 valores e constava na pauta provisória como “Aprovada”. Apesar da classificação superior, o seu nome não aparece entre os candidatos chamados para ocupar a vaga.
Em contrapartida, Devet Paulino Paulo Morais, que não compareceu à entrevista e obteve uma classificação final de 9,1 valores, surge em primeiro lugar no edital final.
A situação levanta questões sobre os critérios utilizados no processo de selecção e sobre as razões que terão levado ao afastamento de candidatos que, segundo a pauta provisória, apresentavam classificações superiores e estavam indicados como aprovados.
Diante das discrepâncias apontadas nos documentos, surgem suspeitas de possíveis irregularidades e eventual corrupção no processo de selecção. As alegações, contudo, carecem de esclarecimento e confirmação pelas entidades competentes.
Entre as principais questões que aguardam resposta está a de saber como um candidato que faltou à entrevista e obteve 9,1 valores acabou por ocupar a primeira posição no edital final, enquanto outros candidatos aprovados, com classificações mais elevadas, ficaram de fora da lista dos chamados.
As entidades responsáveis pelo processo deverão esclarecer os critérios e procedimentos utilizados para a elaboração do edital final, de modo a dissipar as dúvidas levantadas em torno da selecção dos candidatos.
