GM Header28129

Paz não se constrói apenas através de negociações formais, defende Graça Machel

A antiga Primeira-Dama de Moçambique, Graça Machel, viúva do primeiro Presidente do país, Samora Machel, considera que a paz e a coesão social não devem ser construídas apenas através de negociações formais ou nos tribunais, mas sobretudo por meio das relações e interacções quotidianas entre indivíduos e diferentes grupos sociais.

Graça Machel, que falava na quarta-feira na qualidade de presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), participou numa reunião que juntou dezenas de mulheres para reflectir sobre o papel feminino na promoção da paz e da coesão social em Moçambique.

Segundo Machel, a fome e as dificuldades económicas estão entre os factores que contribuem para o surgimento de conflitos.

“Os esforços de construção da paz devem, por isso, estar ligados à melhoria das condições de vida nas comunidades”, afirmou, defendendo que, através dos grupos comunitários, as mulheres sejam incentivadas a trabalhar em conjunto, gerar rendimentos e apoiar outras iniciativas locais, fortalecendo a solidariedade e a coesão social.

As declarações de Graça Machel foram feitas um dia depois de o Tribunal Supremo ter emitido uma convocatória para Venâncio Mondlane, antigo candidato presidencial e líder da Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (Anamola), responder em julgamento por cinco acusações criminais relacionadas com as manifestações em massa ocorridas após as eleições.

As manifestações, convocadas por Mondlane para contestar os resultados das eleições gerais de Outubro de 2024, começaram de forma pacífica, mas posteriormente evoluíram para episódios de tumultos e violência.

Mondlane é acusado dos crimes de apologia pública de crime, incitamento à desobediência colectiva, instigação pública à prática de crime, instigação ao terrorismo e incitamento ao terrorismo.

O político, entretanto, rejeita as acusações de ter incitado à violência durante as manifestações pós-eleitorais e atribui a responsabilidade pela instabilidade às acções violentas da Polícia.

Dados compilados pela organização não-governamental Plataforma Decide indicam que cerca de 400 pessoas foram mortas a tiro pela Polícia, enquanto outras 619 ficaram feridas por disparos, durante os cinco meses de instabilidade que começaram em 21 de Outubro de 2024.

Por sua vez, a Procuradoria-Geral da República (PGR) informou que instaurou 31 processos judiciais contra agentes da Polícia no contexto da violência pós-eleitoral. Contudo, até ao momento, nenhum agente policial foi condenado.

Apesar de Venâncio Mondlane ser considerado a principal figura da oposição no país, tendo em conta a elevada participação popular nos seus comícios realizados em diferentes pontos de Moçambique, o político não participou nas discussões que conduziram à criação do Diálogo Nacional Inclusivo.

O processo baseia-se num documento assinado no ano passado pelo Presidente Daniel Chapo e por nove partidos políticos.

O documento foi submetido à Assembleia da República, tendo posteriormente sido transformado em lei.

Depois da criação da Anamola, Venâncio Mondlane manifestou interesse em integrar o comité responsável pela organização do Diálogo Nacional Inclusivo (COTE). No entanto, até ao momento, a Anamola ainda não obteve um assento naquele órgão.

Durante a campanha eleitoral de 2024, Graça Machel negou informações segundo as quais apoiava Venâncio Mondlane.

A reacção surgiu depois de uma entrevista concedida a um portal electrónico pouco conhecido, denominado “Mozaline News”, que afirmava que Graça Machel teria apelado aos moçambicanos para apoiarem Mondlane.

(AIM)

Outras Notícias do Autor

IMG 20260827 WA0046

Empresário Jiye Zhou absolvido de cinco crimes de que era acusado

LAM press release img 1

Bombardier Q400 da LAM é alvo de alerta por alegadas falhas graves nos motores

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *