Projecção científica prevê envelhecimento da população mundial que vive com HIV
Uma projecção científica indica que 20,2 milhões de pessoas que vivem com HIV em todo o mundo terão 50 anos ou mais até 2040, número que deverá representar mais de metade da população diagnosticada com o vírus.
Os dados constam de um estudo publicado na revista científica The Lancet HIV, que analisa a evolução da população que vive com HIV e a tendência de envelhecimento deste grupo nas próximas décadas.
De acordo com a investigação, o aumento da expectativa de vida das pessoas diagnosticadas com HIV, impulsionado sobretudo pela utilização das terapias antirretrovirais, tem permitido que um número crescente de pacientes viva durante muitos anos com o vírus.
Como consequência, a população de pessoas com HIV está a envelhecer progressivamente, criando novos desafios para os sistemas de saúde.
Diagnóstico tardio preocupa entre pessoas com 50 anos ou mais
Um dos principais desafios identificados actualmente está relacionado com pessoas com 50 anos ou mais que foram recentemente infectadas pelo HIV ou que já vivem com o vírus, mas desconhecem a sua condição.
Estudos citados no relatório indicam que este grupo tende a levar mais tempo do que outras faixas etárias para receber o diagnóstico.
A demora na identificação da infecção pode, consequentemente, atrasar o início do tratamento antirretroviral.
A situação pode ser particularmente preocupante entre as pessoas que já desenvolveram Aids, uma vez que o diagnóstico e o início tardios do tratamento podem agravar a evolução da doença.
Infecção pelo HIV não significa necessariamente desenvolver Aids
A infecção pelo HIV pode evoluir através de diferentes fases, começando pela infecção aguda e podendo chegar a um estágio avançado associado à Aids.
No entanto, desenvolver Aids não é uma consequência inevitável da infecção pelo HIV.
Com acompanhamento médico e tratamento antirretroviral adequado, uma pessoa que vive com HIV pode manter-se saudável e nunca desenvolver Aids.
O tratamento permite controlar a progressão do vírus e contribui para o aumento da expectativa de vida das pessoas que vivem com HIV.
Brasil entre países com aumento de novas infecções
Dados mais recentes do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), apresentados no mês passado durante a Conferência Internacional da Aids (AIDS 2026), também chamaram atenção para a evolução das novas infecções.
Segundo os dados apresentados, o Brasil está entre os 21 países do mundo que registaram um aumento superior a 20% nas novas infecções por HIV.
A projecção sobre o envelhecimento da população que vive com HIV reforça, assim, a necessidade de manter estratégias de prevenção, ampliar o acesso ao diagnóstico e garantir que as pessoas infectadas iniciem o tratamento o mais cedo possível.
Fonte: O TEMPO, 29 de Agosto de 2026
