Niassa, 4 de Setembro de 2026 — Pelo menos três cidadãos norte-americanos foram evacuados por via aérea depois de um ataque atribuído a indivíduos suspeitos de ligação ao Estado Islâmico contra um acampamento de caça localizado numa reserva de vida selvagem, na província do Niassa, norte de Moçambique.
A informação foi avançada por uma fonte familiarizada com o incidente, que falou sob condição de anonimato devido à sensibilidade do caso. Segundo a mesma fonte, os três americanos encontravam-se fora do acampamento, numa actividade de caça, quando o ataque ocorreu.
O acampamento terá sido incendiado durante a incursão. A fonte afirmou, contudo, que não havia mortes confirmadas no momento em que prestou as informações. Funcionários do local teriam fugido, enquanto as forças militares moçambicanas responderam ao ataque.
A publicação digital independente moçambicana em língua inglesa Zitamar News foi a primeira a noticiar o incidente, na noite de quinta-feira, indicando que poderiam ter ocorrido algumas mortes.
Por outro lado, o analista regional Tertius Jacobs, da Focus Group, organização que acompanha a insurgência no norte de Moçambique, afirmou acreditar que vários civis teriam sido sequestrados pelos atacantes.
Até ao momento, essas informações não puderam ser verificadas de forma independente.
Uma publicação nas redes sociais também indicou que três americanos teriam sido evacuados por via aérea de um acampamento de caça no Niassa depois de um ataque ocorrido na quinta-feira, atribuído a indivíduos suspeitos de ligação ao Estado Islâmico. A publicação mencionava ainda a morte de duas pessoas e fazia referência às zonas de Marangira, Marrupa e Mecula.
Ataque ocorreu perto de Marangira
Tertius Jacobs afirmou que o ataque aconteceu nas proximidades da aldeia de Marangira, na província do Niassa.
De acordo com o analista, os insurgentes teriam sequestrado vários civis e saqueado mantimentos e outros recursos antes de abandonarem o local e seguirem em direcção à província de Cabo Delgado.
Jacobs acrescentou que as informações disponíveis corroboravam os relatos de que três cidadãos norte-americanos tinham sido afectados pelo incidente. No entanto, destacou que o número de vítimas e de pessoas eventualmente sequestradas permanecia por confirmar.
Embaixada dos EUA estava informada
Um porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos confirmou que a Embaixada norte-americana em Moçambique tinha conhecimento de um ataque contra uma unidade de caça situada nas proximidades da Reserva Especial do Niassa, perto de Cabo Delgado.
Apesar disso, o Departamento de Estado não confirmou se algum cidadão norte-americano tinha sido afectado.
O Governo de Moçambique, por sua vez, não respondeu ao pedido de comentários sobre o incidente.
EUA já tinham emitido alerta sobre o Niassa
O Departamento de Estado norte-americano já tinha aconselhado os seus cidadãos a não viajarem para a Reserva Especial do Niassa por qualquer motivo.
O alerta aponta que grupos terroristas têm como alvo lodges de caça de luxo localizados dentro e nas proximidades da região e que, em situações anteriores, pessoas chegaram a ser feitas reféns.
A caça de animais de grande porte na Reserva Especial do Niassa decorre normalmente entre Maio e Novembro, período durante o qual a região costuma receber grupos de caçadores provenientes dos Estados Unidos.
Conflito continua a afectar o norte de Moçambique
O ataque ocorre no contexto da insurgência que afecta a região norte de Moçambique desde 2017, particularmente a província de Cabo Delgado.
O conflito, associado a grupos extremistas que juraram lealdade ao Estado Islâmico, já provocou a morte de milhares de pessoas e obrigou centenas de milhares de outras a abandonar as suas casas.
Apesar de o incidente ter ocorrido na província do Niassa, as informações disponíveis indicam uma possível ligação com a insurgência que se estende a partir de Cabo Delgado.
As circunstâncias exactas do ataque, o número de vítimas e a eventual existência de pessoas sequestradas continuam, entretanto, por esclarecer.
Fonte: Reuters
