Addis Ababa 2022

Etiópia entra em 2019 com novas ambições de desenvolvimento e esperança renovada

Adis Abeba, 11 de setembro de 2026 — A Etiópia iniciou o ano de 2019 do seu calendário tradicional com uma perspetiva renovada, maior confiança nacional e uma agenda de desenvolvimento mais ambiciosa, numa altura em que o Governo procura transformar os avanços alcançados nos últimos anos em prosperidade económica duradoura e melhores condições de vida para a população.

O Enkutatash, celebrado no primeiro dia do mês de Meskerem, ocorre a 11 de setembro no calendário gregoriano e assinala o início do novo ano etíope. O calendário utilizado no país possui 12 meses de 30 dias cada, seguidos pelo mês intercalar de Pagume, que tem cinco dias ou seis nos anos correspondentes.

Para além da sua particularidade como sistema de contagem do tempo, o calendário continua a representar uma importante expressão da identidade histórica e da continuidade cultural da Etiópia.

A chegada do novo ano também coincide com a transição da estação chuvosa para um período de clima mais luminoso, tradicionalmente associado à renovação. As paisagens verdes, as flores de Adey Abeba, os encontros familiares e as músicas tradicionais dão ao Enkutatash uma atmosfera própria.

Para os etíopes, portanto, o Ano Novo representa mais do que a mudança de uma página do calendário. É uma oportunidade para refletir sobre os progressos alcançados, reconhecer os desafios que permanecem e renovar o compromisso com os objetivos do futuro.

Um novo momento para o desenvolvimento

A entrada em 2019 acontece num período particularmente importante para a trajetória económica da Etiópia. O Governo pretende avançar de uma fase marcada por reformas e grandes obras para outra centrada no aumento da produtividade, na autossuficiência económica e na criação de prosperidade mais ampla.

O primeiro-ministro Abiy Ahmed tem defendido repetidamente que o país precisa passar da apresentação de grandes ambições para a entrega de resultados concretos.

Em várias mensagens divulgadas nos últimos dias de 2018, o chefe do Governo afirmou que a recuperação e transformação da Etiópia já podem ser observadas através de grandes projetos nacionais, reformas económicas e iniciativas destinadas a melhorar a vida quotidiana dos cidadãos.

Numa mensagem publicada em 7 de setembro, Abiy afirmou: “Ontem declaramos a nossa ascensão; hoje estamos a vivê-la.”

Entre os exemplos apresentados pelo primeiro-ministro estão a Grande Barragem da Renascença Etíope (GERD), os projetos de desenvolvimento de corredores urbanos, o megaempreendimento do Aeroporto Internacional de Bishoftu e as reformas macroeconómicas.

Segundo Abiy, esses projetos estão a contribuir para uma mobilidade urbana mais fluida, para a criação de numerosas oportunidades de emprego e para uma perspetiva mais positiva para as futuras gerações.

O primeiro-ministro também afirmou que o país construiu uma base sólida para a unidade nacional através dos seus valores próprios e da filosofia de Medemer, conceito etíope associado à ideia de sinergia e união de esforços.

Entre as iniciativas apontadas pelo Governo estão ainda o Diálogo Nacional, o desenvolvimento de corredores urbanos centrados nas pessoas, programas de voluntariado e a Iniciativa Legado Verde (Green Legacy Initiative — GLI).

A intenção, segundo a mensagem governamental, não é apenas construir infraestruturas físicas, mas formar um país inclusivo e economicamente autossuficiente, no qual os cidadãos possam participar no processo de desenvolvimento e beneficiar dos seus resultados.

Da reforma económica ao crescimento produtivo

A agenda económica para 2019 está ligada ao Plano de Desenvolvimento de Dez Anos e à segunda fase do Programa de Reforma Económica Homegrown.

O Governo tem colocado cada vez mais ênfase na estabilidade macroeconómica, transformação estrutural, participação do setor privado, mobilização de recursos internos e aumento da competitividade das exportações.

O orçamento federal aprovado para o ano fiscal etíope de 2019 é de aproximadamente 2,339 biliões de birr, tornando-se o maior orçamento federal da história do país.

A distribuição dos recursos dá grande importância a setores como educação, estradas, saúde, agricultura, expansão energética e desenvolvimento urbano, além de prever apoio orçamental aos estados regionais.

O orçamento procura consolidar os ganhos obtidos com as reformas económicas, ao mesmo tempo que responde às pressões sobre o poder de compra das famílias e apoia comunidades de baixos rendimentos.

O ministro das Finanças, Ahmed Shide, afirmou que o plano de despesas dá atenção especial às famílias vulneráveis, sem abandonar a agenda de reformas e o objetivo de alcançar um crescimento inclusivo.

Contudo, a verdadeira prova para o novo ano será a execução. O desafio será transformar os investimentos em maior produção, criação de emprego, aumento das exportações e melhoria dos serviços públicos.

Agricultura e soberania alimentar

A agricultura continua no centro da transformação económica da Etiópia devido à sua importância para a segurança alimentar, o emprego, o fornecimento de matérias-primas à indústria e as receitas provenientes das exportações.

O país tem procurado ultrapassar uma abordagem limitada à segurança alimentar e avançar para um objetivo mais amplo de soberania alimentar.

A produção de trigo, o desenvolvimento da irrigação, a mecanização, os clusters agrícolas, a utilização de sementes melhoradas e o desenvolvimento pecuário tornaram-se componentes importantes dessa estratégia.

A iniciativa Yelemat Trufat também procura aumentar a produtividade pecuária, melhorar a nutrição das famílias e criar novas oportunidades para agricultores e comunidades pastoris.

O objetivo mais amplo é transformar a agricultura num setor mais produtivo e comercialmente orientado, capaz de abastecer o mercado interno, fornecer matérias-primas às indústrias nacionais e aumentar a presença do país nos mercados de exportação.

Durante 2019, espera-se maior atenção à irrigação, à produção durante a estação seca, à mecanização, à agregação de valor e à ligação dos produtores aos mercados.

Estas medidas são consideradas fundamentais para reduzir as importações de alimentos, aumentar os rendimentos das populações rurais e garantir matérias-primas para a indústria transformadora.

O Plano de Desenvolvimento de Dez Anos identifica a agricultura como um dos setores capazes de impulsionar a transformação estrutural, juntamente com a indústria transformadora, mineração, turismo e tecnologia.

A Etiópia voltou a destacar essa abordagem durante uma reunião técnica da União Africana, realizada em julho, apontando agricultura, indústria, mineração, turismo e tecnologia como setores fundamentais para a estratégia nacional de desenvolvimento.

Industrialização e o “Made in Ethiopia”

A industrialização será outra das grandes prioridades de 2019.

A iniciativa Made in Ethiopia foi criada para aumentar a produção nacional, fortalecer a capacidade industrial, substituir produtos importados e melhorar o desempenho das exportações.

O Ministério da Indústria informou que as medidas implementadas no âmbito da iniciativa, juntamente com uma melhoria no acesso ao financiamento, contribuíram para o crescimento da produção industrial, das exportações e da substituição de importações.

O próximo desafio será transformar esses avanços numa industrialização sustentável.

A Etiópia precisa de indústrias capazes de produzir mais matérias-primas e componentes internamente, gerar empregos de qualidade para uma população jovem em crescimento e aproximar a agricultura da indústria através de cadeias de valor mais fortes.

Por isso, produtividade, qualidade, fornecimento confiável de energia, logística, acesso ao financiamento e desenvolvimento de mercados de exportação continuarão a ser questões fundamentais.

O incentivo à produção nacional faz ainda parte de uma estratégia mais ampla destinada a reduzir a dependência externa e aumentar a autossuficiência económica.

Mineração ganha importância

A mineração está a tornar-se outro componente importante da estratégia de transformação económica.

O Governo pretende aumentar os investimentos responsáveis no setor, formalizar atividades mineiras e elevar a contribuição dos minerais para as exportações e para a obtenção de divisas.

O ouro ganhou especial importância, enquanto a expansão da exploração de outros minerais é vista como uma oportunidade para apoiar a industrialização e diversificar a economia.

Apesar do potencial, o setor terá de conciliar aumento da produção e dos investimentos com proteção ambiental, benefícios para as comunidades e gestão responsável dos recursos naturais.

Se for devidamente administrada, a mineração poderá gerar divisas, fornecer matérias-primas às indústrias nacionais e criar novas oportunidades de investimento.

Turismo e aviação como motores económicos

O turismo constitui outra área com grande potencial devido aos recursos naturais, históricos e culturais da Etiópia.

Programas como Dine for Ethiopia, juntamente com iniciativas de desenvolvimento de destinos turísticos, procuram transformar os locais históricos, paisagens, gastronomia e património cultural do país em fontes mais fortes de emprego e entrada de divisas.

A aviação também desempenha um papel importante nessa estratégia.

O projeto do Aeroporto Internacional de Bishoftu é considerado um dos maiores empreendimentos de infraestrutura em curso e pretende reforçar a posição da Etiópia como importante centro de aviação e logística.

Abiy Ahmed incluiu o aeroporto entre os projetos que simbolizam o atual ritmo de desenvolvimento do país.

A nova infraestrutura, juntamente com a expansão da rede da Ethiopian Airlines, a melhoria das ligações rodoviárias e o desenvolvimento da infraestrutura turística, poderá fortalecer a posição da Etiópia como porta de entrada entre África, Médio Oriente, Ásia e outros mercados internacionais.

Transformação tecnológica

A economia digital está a ocupar um espaço cada vez mais importante na estratégia de desenvolvimento etíope.

Através do programa Digital Ethiopia 2030, o país pretende ampliar os serviços públicos digitais, a identificação digital, os serviços financeiros móveis, as telecomunicações, a inteligência artificial e o empreendedorismo tecnológico.

O objetivo vai além de aumentar o acesso à internet.

A transformação digital é vista como uma forma de reduzir custos de transação, melhorar os serviços governamentais, ampliar a inclusão financeira, criar novos negócios e permitir que empresas etíopes tenham maior ligação aos mercados regionais e internacionais.

Abiy Ahmed também tem relacionado o desenvolvimento nacional com a necessidade de alcançar maior soberania tecnológica.

Numa mensagem alusiva ao Dia da União Africana, o primeiro-ministro apelou aos países africanos e aos jovens para assumirem maior controlo sobre o futuro digital do continente.

Para a Etiópia, 2019 poderá, assim, ser um ano importante para transformar a infraestrutura digital em capacidade produtiva e económica.

Infraestruturas para conectar a economia

O desenvolvimento de infraestruturas continua a ser uma das partes mais visíveis da transformação da Etiópia.

Projetos de desenvolvimento de corredores em Adis Abeba e noutras cidades estão a modificar a mobilidade urbana e os espaços públicos, ao mesmo tempo que criam novas infraestruturas comerciais e sociais.

A abordagem passou a integrar estradas, áreas pedonais, espaços públicos, zonas verdes e serviços urbanos, em vez de tratar a construção de estradas como uma atividade isolada.

Abiy Ahmed destacou especificamente o desenvolvimento de corredores centrados nas pessoas como um exemplo de como a ação coletiva pode produzir resultados concretos.

Fora dos centros urbanos, estradas, infraestruturas energéticas, corredores logísticos e projetos de aviação procuram reduzir os custos de transporte e aproximar produtores dos mercados.

O desafio em 2019 será garantir que as infraestruturas não sejam um objetivo final, mas uma plataforma para produção, investimento e criação de emprego.

Energia e independência energética

A energia é fundamental para as ambições industriais e económicas da Etiópia.

A conclusão e inauguração da Grande Barragem da Renascença Etíope (GERD) tornou-se um dos principais marcos do país na expansão da produção de eletricidade e no reforço da segurança energética.

A barragem também é apresentada pelo Governo como símbolo da capacidade nacional, do financiamento coletivo e da autossuficiência.

Abiy Ahmed incluiu a GERD entre os grandes projetos que demonstram a passagem da Etiópia das aspirações para resultados concretos.

Por isso, a prioridade para o novo ano não será apenas produzir mais eletricidade, mas garantir que o aumento da oferta energética seja convertido em produção industrial, processamento agrícola, serviços digitais, exportações e melhores condições de vida.

Crescimento económico com proteção ambiental

A transformação económica está a ser acompanhada por iniciativas de recuperação ambiental.

A Green Legacy Initiative tornou-se um dos mais conhecidos programas ambientais nacionais da Etiópia, combinando plantação de árvores com recuperação de bacias hidrográficas, resiliência climática e mobilização da população.

O programa evoluiu de uma simples campanha de plantação de árvores para uma abordagem mais ampla, ligando proteção ambiental à agricultura, gestão da água, espaços verdes urbanos e adaptação às alterações climáticas.

O primeiro-ministro voltou a mencionar a iniciativa na sua mensagem de Ano Novo como um dos programas através dos quais valores coletivos foram transformados em ações concretas.

O novo ano exigirá, portanto, que o país continue a procurar crescimento económico sem comprometer os recursos naturais e, simultaneamente, aumente a sua capacidade de enfrentar os impactos das alterações climáticas.

Investimento nas pessoas

Nenhuma estratégia de desenvolvimento poderá ter sucesso sem investimento no capital humano.

Educação, saúde, emprego e desenvolvimento de competências continuam a ser essenciais para a transformação de longo prazo da Etiópia, sobretudo devido à grande e jovem população do país.

O orçamento federal de 2019 coloca educação e saúde entre as principais áreas prioritárias, enquanto a estratégia económica continua a destacar a criação de emprego e o desenvolvimento do setor privado.

Um dos grandes desafios será garantir que os jovens etíopes não sejam apenas beneficiários do crescimento económico, mas participantes ativos nesse processo.

Para isso, serão necessários sistemas mais fortes de educação técnica e profissional, competências digitais, oportunidades de empreendedorismo, acesso ao financiamento e um ambiente empresarial capaz de absorver os milhões de jovens que entram anualmente no mercado de trabalho.

Unidade nacional como condição para o desenvolvimento

A transformação económica não pode ser dissociada da paz e da coesão nacional.

Na sua mais recente mensagem de Ano Novo, Abiy Ahmed colocou a unidade no centro da trajetória de desenvolvimento do país, defendendo que os valores partilhados e o conceito de Medemer constituem uma base para o progresso coletivo.

A mensagem surge depois de um ano em que o processo de Diálogo Nacional, as iniciativas de desenvolvimento, os programas de voluntariado e os grandes projetos de infraestrutura foram apresentados como instrumentos para fortalecer a coesão nacional.

A lógica defendida pelo Governo é que o desenvolvimento necessita de estabilidade; a estabilidade depende de cooperação; e a cooperação é fortalecida quando os cidadãos partilham um sentimento de propósito nacional.

Com a entrada em 2019, a relação entre paz, unidade e desenvolvimento deverá continuar a ocupar um lugar central na agenda governamental.

O desafio passa da construção aos resultados

A grande questão de 2019 será saber se a Etiópia conseguirá passar da construção das bases para a produção de resultados concretos a partir desses investimentos.

Nos últimos anos, o país investiu fortemente em estradas, energia, infraestrutura urbana, agricultura, sistemas digitais, recuperação ambiental e grandes projetos nacionais.

Ao mesmo tempo, as reformas económicas começaram a alterar o ambiente de políticas públicas.

A próxima etapa será aumentar a produtividade.

As fábricas terão de produzir de forma mais competitiva. Os agricultores deverão obter maiores rendimentos através do aumento da produtividade. As infraestruturas precisarão reduzir os custos de transporte. Os sistemas digitais deverão tornar os serviços mais rápidos e acessíveis.

A expansão energética terá de apoiar a industrialização. O turismo deverá gerar mais empregos e divisas. A mineração deverá produzir maior valor económico, garantindo simultaneamente a proteção das comunidades e do ambiente.

Essa visão está alinhada com a filosofia apresentada pelo primeiro-ministro durante a Ethiopia Delivers National Summit, realizada no início deste ano.

Na ocasião, Abiy descreveu a construção nacional como uma responsabilidade coletiva contínua e defendeu que as reformas devem transformar-se em bases para mudanças duradouras.

Um ano marcado pela execução

A Etiópia entra, assim, em 2019 num momento decisivo da sua trajetória de desenvolvimento.

O país não começa o novo ano do zero. Entra no novo período com grandes projetos concluídos, outros ainda em construção, um amplo programa de reformas económicas, um novo quadro orçamental e uma estratégia de desenvolvimento que coloca agricultura, indústria transformadora, mineração, turismo e tecnologia no centro da transformação estrutural.

O orçamento federal de 2,339 biliões de birr oferece o enquadramento financeiro para implementar as prioridades do novo ano fiscal, enquanto o Plano de Desenvolvimento de Dez Anos define uma direção de longo prazo.

No entanto, a dimensão das ambições não será suficiente para determinar o sucesso de 2019.

A execução, a produtividade, a responsabilização e a capacidade de transformar os grandes investimentos nacionais em aumentos dos rendimentos das famílias e melhorias nos serviços públicos serão fatores decisivos.

É por isso que a mensagem do novo ano está cada vez mais associada à ideia de execução.

A Etiópia inicia 2019 procurando transformar as bases construídas nos anos anteriores numa economia mais produtiva, resiliente e autossuficiente.

O desafio é grande, mas também são significativas as oportunidades.

Enquanto as flores de Adey Abeba surgem pela paisagem etíope e as famílias se reúnem para celebrar o Enkutatash, o Ano Novo oferece um momento simbólico para olhar para o futuro.

É uma oportunidade para preservar aquilo que funcionou, corrigir o que não produziu os resultados esperados, acelerar as iniciativas que estão a apresentar progressos e garantir que as grandes ambições nacionais de desenvolvimento se traduzam em benefícios concretos para a população.

Na mensagem mais recente de Ano Novo, Abiy Ahmed reafirmou a ambição de construir uma Etiópia inclusiva e economicamente autossuficiente, aproveitando o potencial coletivo dos seus cidadãos.

Em 2019, essa ambição enfrenta agora um dos seus maiores testes: transformar o atual impulso de desenvolvimento em prosperidade duradoura para a população.

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