Um grupo de investigadores das universidades de Tilburg e Erasmus, nos Países Baixos, estima que o ser humano tenha um limite biológico de longevidade situado próximo dos 115 anos. A conclusão resulta de uma análise de dados sobre pessoas que morreram ao longo de várias décadas.
Embora a esperança média de vida tenha aumentado significativamente em diversos países, os investigadores defendem que esse crescimento não significa necessariamente que a idade máxima que uma pessoa pode alcançar esteja a aumentar na mesma proporção.
Estudo analisou milhares de mortes
Para chegar às conclusões, os cientistas analisaram os registos de cerca de 75 mil pessoas que morreram nos Países Baixos durante um período de 30 anos, até 2017.
A análise procurou identificar a idade em que a longevidade humana parece atingir um determinado limite. Os resultados apontaram para uma espécie de “teto” por volta dos 90 anos, embora isso não signifique que uma pessoa deixe necessariamente de viver depois dessa idade.
Segundo o estudo, o organismo humano ainda apresenta capacidade de continuar a funcionar durante vários anos além dos 90, desde que não seja afectado por doenças graves, acidentes ou outras condições que possam reduzir a longevidade.
Depois da análise estatística, os investigadores estimaram que o limite máximo da vida humana estaria próximo dos 115 anos.
Os dados apontaram ainda uma pequena diferença entre homens e mulheres. Para as mulheres, o limite estimado seria de aproximadamente 115,7 anos, enquanto para os homens estaria em torno de 114,1 anos.
Expectativa de vida aumenta, mas o limite máximo permanece
O professor John Einmahl, um dos responsáveis pelo estudo, explicou que as pessoas vivem, em média, mais tempo actualmente do que no passado. No entanto, segundo a análise, isso não significa que os indivíduos mais longevos estejam necessariamente a alcançar idades cada vez maiores.
A conclusão sugere que os avanços da medicina, a melhoria das condições de vida e hábitos mais saudáveis contribuíram para aumentar a esperança média de vida, mas podem existir limites biológicos que continuam a restringir a idade máxima que o organismo humano consegue atingir.
Casos excepcionais desafiam o limite
Apesar da estimativa apresentada pelos investigadores, existem casos que ultrapassam os valores apontados pelo estudo.
Entre eles está o japonês Jiroemon Kimura, reconhecido pelo Guinness World Records como o homem mais velho já registado, tendo vivido até aos 116 anos e 54 dias.
O texto também menciona Ethel Caterham, nascida em 1909, no Reino Unido, como a pessoa mais velha viva. Aos 116 anos e 48 dias, terá sobrevivido à pandemia da COVID-19 e seria a última pessoa viva nascida durante o reinado de Eduardo VII.
Outro caso citado é o de João Marinho Neto, brasileiro nascido em 1912, apresentado como o homem mais velho vivo, aos 113 anos. Curiosamente, ele teria enviado uma mensagem de felicitações a Ethel Caterham quando esta completou 116 anos.
A ciência ainda procura respostas
Os casos excepcionais mostram que as estimativas científicas sobre a longevidade não representam necessariamente uma barreira absoluta. Embora os estudos indiquem a existência de um possível limite biológico, algumas pessoas conseguem ultrapassar as idades previstas pelas análises estatísticas.
Assim, os investigadores defendem que o aumento da esperança média de vida e a existência de pessoas que ultrapassam os 110 anos continuam a levantar questões sobre os limites do envelhecimento humano e sobre até onde a longevidade poderá chegar.
