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Pastor viola menor de 16 anos sob pretexto de tratamento

Pastor é acusado de abusar sexualmente de menor de 16 anos no Cuito sob pretexto de tratamento espiritual

Uma adolescente de 16 anos terá sido vítima de abuso sexual alegadamente cometido por um pastor de 33 anos, no município do Cuito, província do Bié, em Angola, depois de ter sido levada para a residência do líder religioso sob o pretexto de receber assistência espiritual.

Segundo informações atribuídas ao Instituto Nacional da Criança (INAC), o pastor terá aproveitado a vulnerabilidade da menor para praticar o acto de forma violenta.

O caso consta do relatório de balanço das ocorrências registadas entre os dias 18 e 24 de Setembro, através da linha de denúncias 15015 – SOS Criança.

INAC recebeu 999 denúncias

No período em referência, o INAC registou 999 denúncias de violência contra crianças em diferentes pontos de Angola.

De acordo com os dados apresentados, os casos tiveram maior incidência nas províncias do Bié, Luanda, Zaire, Lunda-Norte, Lunda-Sul, Malanje, Benguela e Huambo.

Psicólogo alerta para abuso de relações de autoridade

O caso levou o psicólogo Amâncio Emanuel Justino a chamar atenção para os riscos associados às relações de autoridade estabelecidas por alguns líderes religiosos com os seus fiéis, sobretudo quando estão envolvidas crianças e adolescentes.

Segundo o especialista, em determinados contextos religiosos, a autoridade atribuída ao líder pode fazer com que alguns crentes deixem de questionar as suas decisões. Essa relação pode criar situações de dependência que, segundo o psicólogo, podem ser aproveitadas por pessoas com intenções criminosas.

Amâncio Emanuel Justino considera ainda que a vulnerabilidade dos fiéis pode aumentar quando determinadas instituições religiosas não dispõem de mecanismos adequados para seleccionar, acompanhar e responsabilizar os seus líderes.

Adolescentes são particularmente vulneráveis

O psicólogo destaca especialmente os adolescentes, por entender que estes ainda se encontram numa fase de formação da personalidade e podem sofrer forte influência das figuras de autoridade que fazem parte do seu círculo de confiança.

Na avaliação do especialista, quando um líder religioso passa a ocupar uma posição de referência importante na vida de uma criança ou adolescente, a relação de confiança estabelecida pode dificultar a identificação e a denúncia de situações de abuso.

Por essa razão, Amâncio Emanuel Justino defende maior atenção das instituições competentes à regulamentação e fiscalização das organizações religiosas, bem como a criação de mecanismos capazes de prevenir abusos e responsabilizar os seus autores.

Apelo às famílias

O psicólogo aconselha igualmente as famílias a acompanharem de perto as relações mantidas pelos menores com líderes religiosos e outras figuras de autoridade.

O especialista recomenda que os responsáveis evitem uma confiança cega e denunciem às autoridades qualquer suspeita de violência ou abuso contra crianças.

O caso do Cuito integra o conjunto de denúncias de violência contra menores recebidas pelo INAC através da linha 15015 – SOS Criança durante o período de 18 a 24 de Setembro.

Fonte: Correio da Kianda | Judith Costa

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