Uma bebé de 20 meses encontra-se internada no Hospital Provincial de Xai-Xai, em Gaza, depois de sofrer queimaduras graves e apresentar sinais que levantaram suspeitas de maus-tratos por parte dos próprios responsáveis.
O hospital confirma o caso e afirma ter identificado lesões físicas e sinais de trauma na menor. Perante as suspeitas, a Direcção Provincial de Género, Criança e Acção Social abriu um processo e determinou a retirada provisória da guarda da criança aos pais, que se encontram detidos e negam as acusações.
Bebé apresenta queimadura de segundo grau
A menor vive há cerca de quatro meses com a madrasta, no posto administrativo da Praia de Xai-Xai.
Segundo o Hospital Provincial de Xai-Xai, a criança deu entrada com uma queimadura na região do glúteo, que já apresentava sinais de infecção.
A unidade sanitária afirma igualmente ter identificado indícios de agressão e diagnosticado uma queimadura de segundo grau, superficial e profunda.
Wilson Pedro, representante do Hospital Provincial de Xai-Xai, explicou que os relatos recebidos apontavam para a madrasta como responsável pela situação.
“Nós recebemos a criança e fizemos uma avaliação geral da criança e verificamos que a criança tinha uma queimadora na região Guluté, que esta queimadora apareceu infetada.”
Segundo o responsável, os indícios apontam para uma lesão que teria permanecido durante algum tempo na residência antes de a criança receber assistência médica, o que teria contribuído para a infecção.
Hospital identifica sinais de trauma
Para além das lesões físicas, os profissionais de saúde dizem ter observado sinais de trauma psicológico na bebé.
Wilson Pedro descreveu a criança como muito apática e assustada durante os procedimentos médicos.
“Não tendo alguém diretamente para assistir a criança, a criança está muito apática. Verifica-se que a criança está traumatizada.”
O representante do hospital explicou que, mesmo quando eram realizados procedimentos como a canalização de uma veia, a criança permanecia em silêncio, comportamento que, segundo ele, indicaria medo e possível trauma.
Pais estão detidos e negam acusações
O casal responsável pela criança, de 28 e 22 anos de idade, encontra-se detido na 2.ª Esquadra e nega ter maltratado a menor.
O pai apresenta uma versão diferente sobre a origem da queimadura. Segundo ele, o ferimento teria ocorrido acidentalmente depois de a criança derrubar uma chaleira com água quente.
“Em nenhum momento, em nenhum momento nós maltratamos a criança. A mãe esqueceu que atrás deixou uma chaleira. Então chutou aquela chaleira, a água escorregou-lhe. Essa criança escorregou-lhe, aquela água escorregou-lhe e queimou na perna”, afirmou o pai.
Esta versão é confrontada com a descrição apresentada pelo hospital, que localiza a queimadura na região do glúteo e a classifica como de segundo grau, superficial e profunda.
Guarda da criança retirada provisoriamente
Diante das suspeitas, a Direcção Provincial de Género, Criança e Acção Social abriu um processo e decidiu retirar temporariamente a guarda da bebé aos pais.
A medida tem como objectivo proteger a criança enquanto decorrem as averiguações sobre as circunstâncias em que ocorreram os ferimentos.
Gerônimo Nhabete, chefe do Departamento da Criança na Direcção Provincial de Género, Criança e Acção Social, afirmou que existe a percepção de que as queimaduras podem ter resultado de um acto voluntário.
“As autoridades competentes estão a investigar e nós como assistentes sociais também estamos a fazer uma intervenção com vista a apurar alguns elementos que possam sustentar a nossa posição.”
O responsável acrescentou que, caso seja comprovado que os pais vinham violentando a criança, uma das medidas será garantir que a menor permaneça num ambiente considerado adequado e afastado do que classificou como um “ambiente tóxico”.
Caso poderá ter antecedentes de violência
Informações constantes de um documento da Polícia da República de Moçambique (PRM) indicam que o caso poderá ter antecedentes de alegadas agressões contra a menor.
Segundo a Polícia, os primeiros factos reportados remontam a Agosto, quando a criança teria sido fisicamente agredida pela madrasta.
A informação policial refere que a menor teria sido empurrada e embatido contra uma geleira, situação que teria provocado uma fractura no braço.
Nova denúncia envolvendo água quente
Ainda de acordo com a PRM, no dia 20 do mês em curso, uma denúncia anónima informou as autoridades de que a menor teria sido novamente agredida.
Desta vez, a denúncia indicava que a criança teria sido atingida com água quente, provocando ferimentos considerados graves.
A informação policial aponta também para alegadas agressões recorrentes desde que o casal passou a viver com a criança, acrescentando que membros da comunidade teriam manifestado preocupação com o alegado comportamento dos responsáveis.
Mãe biológica teria problemas de saúde mental
A PRM refere igualmente que a mãe biológica da menor enfrenta problemas de saúde mental, apresentando períodos de lucidez.
Segundo a informação policial, essa situação terá sido uma das razões pelas quais a guarda da criança foi confiada aos actuais responsáveis.
A Polícia da República de Moçambique informou que deverá pronunciar-se sobre os novos dados do caso nesta quinta-feira.
O caso continua sob investigação para esclarecer as circunstâncias exactas em que a criança sofreu as queimaduras e as demais lesões.
Fonte: O País
