O Presidente da República, Daniel Chapo, garantiu este sábado, 3 de Outubro, que não está prevista uma interrupção generalizada no abastecimento de combustíveis em Moçambique, embora tenha reconhecido a existência de constrangimentos pontuais relacionados com a actual conjuntura internacional, sobretudo com os efeitos do conflito no Médio Oriente.
A garantia foi apresentada durante uma conferência de imprensa que marcou o encerramento da visita de trabalho do Chefe do Estado à província de Gaza.
Segundo Daniel Chapo, a actual situação de escassez de combustíveis não é um problema exclusivamente moçambicano, mas integra uma crise de dimensão internacional.
“A guerra ainda não terminou. E, enquanto não terminar, a crise que se está a observar não é apenas de Moçambique. É uma crise de escassez de combustíveis no mundo”, afirmou o Presidente.
Governo procura responder às situações de escassez
Daniel Chapo explicou que os constrangimentos verificados em algumas zonas do País estão inseridos num cenário internacional marcado pelas dificuldades no mercado de combustíveis.
De acordo com o Presidente, o Governo tem procurado administrar a situação e garantir que os locais afectados sejam reabastecidos assim que possível.
“O que temos feito é, realmente, gerir esta crise. Há pontos onde, durante um dia, existe escassez, mas logo depois consegue-se repor”, explicou.
O Chefe do Estado associou ainda as dificuldades registadas no País aos impactos do conflito no Médio Oriente sobre o mercado internacional de combustíveis, incluindo as perturbações relacionadas com a circulação de petróleo através do Estreito de Ormuz.
Apesar dos constrangimentos existentes em determinados pontos, Daniel Chapo foi categórico ao afastar a possibilidade de uma ruptura nacional no fornecimento.
“Mas a rutura total de combustível ao nível do País não vai acontecer”, garantiu.
Fim da guerra poderá estabilizar preços
O Presidente da República considerou igualmente que uma eventual normalização da situação geopolítica poderá contribuir para melhorar as condições de abastecimento e estabilizar os preços dos combustíveis no mercado internacional.
Daniel Chapo apontou especificamente para a possibilidade de o conflito terminar e de a circulação de combustíveis através do Estreito de Ormuz voltar a decorrer normalmente.
“Vamos ver se a guerra termina. Se a guerra terminar e os combustíveis no Estreito de Ormuz começarem a circular normalmente, como circulavam antes, temos a certeza absoluta de que os preços dos combustíveis vão ficar estabilizados ao nível mundial”, afirmou.
Na mesma intervenção, acrescentou que uma estabilização internacional dos preços deverá igualmente produzir efeitos positivos em Moçambique.
“Consequentemente, Moçambique também vai ter estabilidade”, acrescentou.
Presidente compara crise energética à pandemia
Daniel Chapo comparou a actual crise energética provocada por factores internacionais à situação vivida durante a pandemia da covid-19.
Segundo o Presidente, situações desta dimensão exigem capacidade de adaptação tanto por parte dos Governos como das populações.
Enquanto continuarem a existir factores externos a pressionar os mercados internacionais, explicou, será necessário adoptar medidas destinadas a gerir os efeitos da crise e adaptar-se às circunstâncias.
Governo já analisava nova vaga de escassez
Em Agosto, o Governo revelou que estava a analisar as causas de uma nova vaga de escassez de combustíveis registada em várias zonas de Moçambique.
A situação surgiu depois de um período de relativa normalização do abastecimento, na sequência da crise registada durante os meses de Abril e Maio.
Na altura, o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, afirmou que as autoridades estavam a procurar compreender as causas da nova situação.
“Ainda se está a fazer uma análise para perceber o que é que está efectivamente a acontecer, para que se esteja a vivenciar, aparentemente, ou esteja, pelo menos, a iniciar uma segunda vaga de escassez”, explicou.
Crise de Abril e Maio provocou longas filas
Durante a crise registada em Abril e Maio, a escassez de gasolina e gasóleo provocou filas de dezenas de viaturas em postos de abastecimento que ainda dispunham de combustíveis.
Perante a situação, foi reforçada a presença da Unidade de Intervenção Rápida (UIR) da Polícia nos postos onde havia disponibilidade de combustível.
A crise teve também impacto nos preços. Em Maio, o preço do gasóleo aumentou 45,5%, enquanto o da gasolina subiu 12,1%.
O Governo justificou a revisão dos preços com a evolução do mercado internacional e com as dificuldades de fornecimento associadas ao conflito no Médio Oriente.
Apesar dos actuais constrangimentos localizados, a garantia apresentada por Daniel Chapo é de que não haverá uma ruptura total no abastecimento de combustíveis no País, enquanto as autoridades continuam a acompanhar a evolução da crise internacional e a adoptar medidas para gerir eventuais situações de escassez.
Fonte: Lusa / Diário Económico.
