A Polícia da República de Moçambique (PRM) terá inviabilizado a realização de uma marcha organizada pelo partido ANAMOLA no distrito de Mocuba, província da Zambézia, marcada para sábado, 10 de Outubro de 2026, apesar de a actividade ter sido comunicada com quatro dias de antecedência e de terem decorrido encontros de concertação entre as partes.
Segundo uma nota divulgada pela Comunicação e Imagem do distrito de Mocuba, o partido havia comunicado a realização da marcha no dia 6 de Outubro. Posteriormente, na sexta-feira, dia 9, representantes da formação política reuniram-se com a PRM para acertar os detalhes relacionados com a actividade.
Entretanto, de acordo com o mesmo relato, às 19 horas de sexta-feira, a Polícia solicitou a realização de mais um encontro, agendado para as 7 horas da manhã do dia seguinte, precisamente na data prevista para a marcha.
Foi durante esse encontro que, segundo a comunicação do partido, a PRM informou que não estavam reunidas as condições para a realização da manifestação.
ANAMOLA questiona decisão da Polícia
A estrutura distrital da ANAMOLA considera estranha a sequência dos acontecimentos, tendo em conta que a actividade havia sido comunicada antecipadamente e que, na véspera, tinham sido discutidos os detalhes da sua realização.
Segundo a versão divulgada pelo partido, não foi apresentada uma justificação concreta que explicasse a mudança de posição da Polícia, depois dos contactos prévios entre as partes.
A comunicação da formação política levanta suspeitas de possível interferência política e de orientações superiores na decisão que inviabilizou a marcha. Contudo, até ao momento, não foram apresentadas provas independentes que confirmem essas alegações.
Coordenador provincial deverá pronunciar-se
Perante a situação, o coordenador provincial da ANAMOLA na Zambézia anunciou que iria pronunciar-se publicamente sobre o sucedido.
A informação foi avançada pela Comunicação e Imagem do distrito de Mocuba, que indicou que a declaração seria feita cerca de 30 minutos após a divulgação da nota.
Até à publicação desta notícia, aguardavam-se mais esclarecimentos sobre os fundamentos apresentados pela PRM para impedir a realização da marcha e sobre a posição oficial das autoridades policiais relativamente às acusações levantadas pelo partido.
O caso volta a colocar em discussão as condições para a realização de actividades políticas e manifestações públicas em Moçambique, bem como a importância da transparência na comunicação entre as autoridades e as organizações políticas.
