Screenshot2024 12 28111949 1.png.5138a54fa80e8ede654ac45b16639be1 1

CDD exige explicações ao Tribunal Administrativo sobre compra de aviões avariados pela LAM

Quatro meses após a apresentação de uma denúncia, o Centro para Democracia e Direitos Humanos continua à espera de esclarecimentos sobre a aquisição de cinco aeronaves pela companhia aérea moçambicana. O organismo exige transparência na investigação e apuramento de eventuais responsabilidades.

O Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD) exige que o Tribunal Administrativo (TA) esclareça os resultados das diligências realizadas no âmbito da denúncia sobre a compra de cinco aeronaves pela Linhas Aéreas de Moçambique (LAM). Quatro meses depois de ter apresentado o caso à Secção de Contas do tribunal, a organização afirma que ainda não foram divulgadas informações públicas sobre o andamento da análise.

A denúncia foi submetida a 1 de Junho e solicitava a verificação da legalidade do processo de aquisição, da regularidade financeira das operações, do estado técnico dos aviões e da eventual existência de prejuízos para o erário público.

Segundo o CDD, equipas do Tribunal Administrativo deslocaram-se às instalações da LAM em Agosto para consultar documentos e fotografar aeronaves que se encontravam imobilizadas. Contudo, desde essas diligências, não foram tornados públicos resultados ou esclarecimentos sobre as conclusões alcançadas.

A organização considera preocupante a ausência de informações, sobretudo depois de o Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC) ter decidido arquivar o processo-crime relacionado com a operação.

GCCC arquivou processo por alegada falta de provas suficientes

De acordo com a informação apresentada pelo CDD, o GCCC justificou o arquivamento com a insuficiência de provas para atribuir responsabilidade criminal à Comissão de Gestão liderada por Dane Kondic e aos gestores de empresas públicas envolvidos na injecção de capital na LAM: Tomás Matola, Agostinho Langa e Janfar Abdulai.

O CDD critica esta decisão e considera que foram ignorados relatórios de auditoria existentes. A organização defende, por isso, que o Tribunal Administrativo deve esclarecer os resultados da sua própria intervenção e determinar se existem responsabilidades financeiras ou outras irregularidades no processo.

Cinco aeronaves adquiridas em condições contestadas

A aquisição em causa abrange três aviões Bombardier Q400 e dois Embraer E190. Os dados apresentados na denúncia apontam para problemas operacionais nas aeronaves e para a necessidade de investimentos adicionais para as colocar em condições de funcionamento.

No caso dos dois Embraer E190, comprados usados por 25 milhões de dólares e enviados para recondicionamento na África do Sul, apenas uma unidade, baptizada “Zambeze”, se encontra operacional.

O segundo aparelho, denominado “Limpopo”, está imobilizado desde o seu voo inaugural para Nacala. A situação implica custos adicionais com estacionamento e aquisição de peças, segundo os dados citados no relato.

Relativamente aos três Bombardier Q400, adquiridos por valores entre 2,5 milhões e 6,5 milhões de dólares, o processo envolveu a passagem de aeronaves anteriormente em regime de locação simples para o património definitivo da LAM, nas condições em que se encontravam.

Segundo a denúncia, os aparelhos chegaram avariados e permaneceram em terra. Um dos motores de uma dessas aeronaves foi enviado para reparação, mas o seu paradeiro continua desconhecido, de acordo com a informação apresentada.

Para recuperar as condições básicas de aeronavegabilidade da frota adquirida, estima-se que seja necessário um investimento adicional imediato de 11,6 milhões de dólares.

LAM continua a gastar milhões em alugueres

A falta de operacionalidade das aeronaves adquiridas mantém a LAM fortemente dependente do aluguer de aviões para assegurar as suas operações.

De acordo com os dados apresentados pelo CDD, a companhia aérea gasta mensalmente mais de três milhões de dólares com alugueres, num processo que a organização considera pouco transparente.

O cenário levanta preocupações sobre a utilização dos recursos financeiros aplicados na aquisição dos cinco aparelhos, tendo em conta que parte da frota permanece imobilizada e exige despesas adicionais para eventual recuperação.

CDD exige transparência e apuramento de responsabilidades

Perante os valores envolvidos e a falta de esclarecimentos públicos sobre as diligências do Tribunal Administrativo, o CDD exige que a instituição actue com celeridade, independência e transparência.

A organização pretende que o tribunal divulgue os resultados das verificações realizadas nas instalações da LAM e esclareça se foram identificadas irregularidades ou responsabilidades financeiras e criminais relacionadas com a aquisição das aeronaves.

O CDD considera necessário que a sociedade tenha acesso a informações claras sobre o destino dos recursos públicos envolvidos e sobre as medidas que poderão ser adoptadas para esclarecer o caso.

Fonte: MZ News, com base em informações e posições atribuídas ao Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD).

Outras Notícias do Autor

9f791c3b fd5a 46eb a61c 67d4432d935828129

Pemba afasta funcionário por alegado desvio de 700 mil meticais

DOC.20250722.45362067.MAC 7915 scaled28129

Tribunal Supremo Rejeita Recurso de Venâncio Mondlane para Transmissão de Julgamento

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *