Uma experiência realizada na cidade de Xangai, na China, com robôs humanoides da fabricante Agibot revelou tanto os avanços da inteligência artificial na execução de tarefas comerciais como as limitações que ainda dificultam a substituição dos trabalhadores humanos por máquinas.
Seis robôs humanoides da linha G2 foram submetidos a um teste de 24 horas consecutivas numa loja de conveniência, num experimento transmitido em directo com o título “Robots Never Clock Out” (Os robôs nunca batem o ponto). Durante a experiência, as máquinas tiveram de desempenhar diferentes funções, desde o atendimento aos clientes e preparação de café até à reposição de produtos e limpeza do estabelecimento.
Apesar de a maioria dos equipamentos ter conseguido executar as tarefas previstas, um dos robôs protagonizou uma situação inesperada ao abandonar o estabelecimento depois de enfrentar dificuldades durante uma actividade de limpeza.
De acordo com informações divulgadas pelo jornal Asianet Newsable, quatro dos seis equipamentos apresentaram resultados considerados satisfatórios na avaliação final dos engenheiros, enquanto os outros dois não conseguiram atingir os critérios de desempenho estabelecidos.
O principal objectivo da experiência era avaliar o comportamento da inteligência artificial aplicada à robótica num ambiente comercial real, com a presença de clientes humanos e diferentes necessidades ao longo do dia.
Para obter resultados mais abrangentes, o teste foi organizado em quatro turnos, abrangendo períodos de maior movimento, como a hora de almoço, e momentos de menor actividade, incluindo a madrugada.
Durante as 24 horas de funcionamento, os robôs da linha G2 realizaram um total de 1.730 tarefas. Entre as actividades contabilizadas estiveram 683 recepções de clientes, 369 movimentações de produtos, 147 cafés preparados e 126 refeições servidas. As máquinas também realizaram rondas pelas prateleiras e trabalhos de limpeza das mesas.
No balanço final, quatro dos seis robôs conseguiram apresentar um desempenho considerado adequado pelos engenheiros responsáveis pela avaliação.
Robô encontra obstáculo e abandona a loja
As duas reprovações, contudo, evidenciaram algumas das principais dificuldades que a automação ainda enfrenta quando precisa de lidar com situações inesperadas.
O episódio mais marcante envolveu o robô responsável pelos trabalhos de limpeza. Durante uma das suas tarefas, a máquina encontrou uma situação que não conseguiu resolver: uma lixeira cheia que estava no seu caminho.
Perante o obstáculo, o sistema não conseguiu encontrar uma solução adequada nem recalcular correctamente o percurso. Em vez de contornar a situação de forma eficiente, o equipamento desviou-se da rota prevista e acabou por caminhar para fora do estabelecimento.
O momento em que o robô abandona a loja foi registado em vídeo e tornou-se um dos episódios mais curiosos da experiência.
Falhas também atingiram o robô responsável pelo estoque
O segundo equipamento que não passou na avaliação apresentou dificuldades relacionadas com a falta de iniciativa e dinamismo na execução das suas funções.
Responsável pela gestão do estoque e reposição de mercadorias, o robô demonstrou pouca capacidade para identificar autonomamente quais produtos precisavam de ser repostos nas prateleiras.
Além disso, não conseguiu acompanhar a velocidade de trabalho exigida num estabelecimento comercial em funcionamento, onde as necessidades de reposição podem mudar constantemente.
Automação ainda enfrenta desafios para substituir trabalhadores humanos
Os resultados da experiência realizada na China demonstram que, apesar dos progressos alcançados no processamento lógico da inteligência artificial, transformar essa capacidade em movimentos físicos rápidos, autónomos e contínuos continua a ser um dos maiores desafios da indústria robótica.
Actualmente, os robôs humanoides já conseguem executar tarefas básicas de atendimento, preparar bebidas, servir refeições e movimentar produtos. No entanto, a sua capacidade de responder a imprevistos e tomar decisões adequadas sem intervenção humana ainda apresenta limitações.
Desta forma, a substituição integral dos trabalhadores humanos por máquinas continua dependente de avanços importantes em áreas como autonomia, capacidade de improvisação, navegação e controlo físico.
A experiência de Xangai mostra que, embora os robôs estejam cada vez mais preparados para assumir funções no comércio, situações aparentemente simples e fora da programação inicial ainda podem comprometer o seu desempenho.
